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Aos 110 anos, Dão e Vinho Verde fazem a festa juntos 

E anunciam investimento conjunto de 1,3 milhões de euros nos mercados externos

São 110 anos. No Dão e nos Vinhos Verdes é o momento certo para dar as mãos e trabalhar em conjunto com uma festa que assinala mais um aniversário da Carta de Lei de 18 de setembro de 1908, assinada pelo rei D. Manuel II para fomentar o sector vinícola e criar as duas regiões demarcadas.

Mas depois da festa, o Dão e o Vinho Verde prometem continuar a trabalhar juntos na promoção externa dos seus vinhos, com um investimento de 1,3 milhões de euros em mercados alvo como os Estados Unidos, já este ano.

“São vinhos complementares. Como não há concorrência direta, a colaboração torna-se mais fácil”, sublinha Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), a bater recordes na exportação desde 2004 e à espera de um novo máximo este ano.

Em 2017, as exportações da região dos vinhos verdes atingiram os 60 milhões de euros e bateram pela primeira vez, mas à tangente, as vendas no mercado nacional, chegando a mais de 100 países. Este ano, no primeiro semestre, cresceram 4% em quantidade (18,5 milhões de litros) e 5% em valor (43 milhões de euros)

O Dão exporta menos – seis milhões de litros ou 18 milhões de euros em 2017 – mas a região também está na rota da internacionalização, somando já clientes em 90 destinos, e viu a produção crescer mais de 20% numa decada.

No Dão, como no Vinho Verde, a área de vinha ronda os 18 mil hectares e as explorações são pequenas. Os números da Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVRD), presidida pelo antigo ministro da agricultura do PSD Arlindo Cunha, apontam para 16 mil viticultores, explorações de minifúndio, com pouco mais de um hectar em média, e certificação de apenas 40% da produção.

No vinho verde, as estatísticas referem 15 mil viticultores, o que significa que as explorações também são pequenas, com a área média ligeiramente acima do hectar. E, aqui, 90% da produção é certificada.

Aos 110 anos, as duas regiões partilham, também, os objetivos de valorizar o negócio, fazendo subir o preço da uva e o preço dos seus vinhos, e de se afirmarem no mapa do enoturismo, sector onde acreditam ter “um enorme potencial de crescimento”.

Para já, juntam hoje, no Palácio da Bolsa, no Porto, 200 convidados das duas regiões e o presidente da República, num jantar comemorativo da Carta de Lei de 1908, ditada pela necessidade de impor transparência ao sector do vinho, deixando clara a sua proveniência.