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Mercados. Zona Euro lidera ganhos nas bolsas. Argentina e China em maus lençóis

A semana correu bem para as bolsas da área da moeda única que ganharam 2%, o melhor desempenho em termos ‘regionais’ à escala mundial. PSI 20 em Lisboa avançou 1%. Peso argentino continua a afundar-se. Bolsas chinesas não conseguem sair do vermelho

Jorge Nascimento Rodrigues

A segunda semana de setembro correu bem para as bolsas da zona euro. O índice MSCI para as praças financeiras da moeda única subiu 2,2% em termos semanais, o melhor desempenho à escala mundial em termos de ‘regiões’ ou grupos de mercados. Nova Iorque ficou atrás, com o índice MSCI para as duas bolsas mais importantes do mundo a ganhar 1,2% durante a semana.

Na Europa brilharam esta semana Moscovo, Milão e Madrid, com os índices bolsistas de referência a subirem durante a semana: 4,2% para o RTSI russo, 2,1% para o MIB italiano e 2,1% para o Ibex 35 espanhol. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, ganhou 1% em termos semanais.

O índice mundial MSCI registou uma semana positiva, com todas as sessões no verde, avançando 1,3%. As bolsas da Ásia Pacífico saíram de dez sessões consecutivas no vermelho para ganhos na quinta e sexta-feira. O índice MSCI para a região subiu 1,2% em termos semanais, destacando-se o índice Nikkei 225 em Tóquio, com um avanço de 3,5%.

Os piores desempenhos semanais à escala mundial registaram-se em Shenzhen, a segunda bolsa chinesa, com o índice composto a perder 2,5%, e em São Paulo, com o índice Ibovespa brasileiro a cair 1,3%. Xangai perdeu 0,8% durante a semana.

Desde início do ano, Shenzhen e Xangai lideram perdas à escala mundial, com quedas de 26,5% e 18,9% respetivamente. As bolsas chinesas não conseguem sair do vermelho face à ameaça de uma escalada em breve na guerra comercial com os Estados Unidos. Apesar do anúncio de um regresso à mesa das negociações das duas partes, a partir de um convite do secretário do Tesouro norte-americano Steven Mnuchin, são baixas as expetativas de travagem de um segundo pacote de taxas aduaneiras a decretar pela Casa Branca.

Peso argentino continua a afundar-se

No mercado cambial, a semana ficou marcada pela queda do peso argentino e do real brasileiro face ao euro e pelas valorizações da lira turca, do rublo russo e do rand sul-africano.

As cinco divisas fazem parte de um cabaz de moedas em apuros este ano para o qual os investidores já arranjaram um acrónimo: BRATS. Mas recentemente as evoluções cambiais têm sido diferentes dentro do grupo.

O euro valorizou-se 0,6% em relação ao dólar norte-americano e 0,8% face ao yuan chinês.

O peso perdeu 6,7% e o real caiu 3,7% face à moeda única europeia durante a semana. O euro registou um novo máximo histórico face ao peso fechando a semana em 46,41 pesos. Em contraste, em relação ao euro, a lira apreciou-se 4,4%, o rublo 1,8% e o rand 1,2%.

O bom desempenho da lira e do rublo devem-se às decisões tomadas esta semana pelos respetivos bancos centrais. Pela primeira vez desde 2014, o Banco Central da Federação Russa subiu a taxa diretora em 25 pontos-base, de 7,25% para 7,5%, alegando riscos da inflação em 2019 subir para o patamar dos 5 a 5,5%, claramente acima da meta de 4% que orienta a política monetária do banco. No caso da Turquia, o Banco Central da República Turca (TCMB) surpreendeu os mercados ao decidir subir a taxa diretora de 17,75% para 24%.

O caso argentino voltou à ribalta. Apesar do resgate gigante assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o peso continua em queda. O Banco Central da República Argentina viu-se obrigado a intervir no mercado tendo vendido 280 milhões de dólares (€241 milhões), mas não conseguiu estancar a queda do peso. O governo do presidente Macri está a negociar com o FMI uma antecipação das tranches do empréstimo.

O plano acordado inicialmente verteu 15 mil milhões de dólares (€12,9 mil milhões) logo em junho e previa desembolsos de 2,9 mil milhões de dólares (€2,5 mil milhões) por trimestre até junho de 2021, A segunda tranche deveria vir agora em setembro, mas está suspensa até conclusão das negociações em Washington e da posterior aprovação da alteração do programa de resgate por parte da direção do FMI. Christine Lagarde tem-se empenhado publicamente neste resgate, mas os investidores temem que o país latino-americano caminhe para um novo incumprimento como em 2002.