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Standard & Poor's abre caminho para subir rating de Portugal

A agência de notação S&P, que foi a primeira a retirar a dívida portuguesa de 'lixo financeiro' há um ano atrás, decidiu esta sexta-feira melhorar a perspetiva ( outlook) de estável para positiva. Mas manteve o rating de Portugal em BBB-, o primeiro nível de dívida não especulativa

Jorge Nascimento Rodrigues

A agência Standard & Poor's (S&P) decidiu esta sexta-feira melhorar a perspetiva (outlook) da notação da dívida portuguesa de longo prazo de 'estável' para 'positiva', o que abre a possibilidade de uma nova graduação em próximas avaliações. Manteve, contudo, o rating de Portugal em BBB-, o primeiro nível de grau de investimento. A agência só volta a avaliar a situação da dívida portuguesa no próximo ano.

Como refere a própria agência no comunicado publicado no seu site, a perspetiva positiva “reflete a possibilidade de uma melhoria [do rating] se a desalavancagem pública e privada continuar ao mesmo tempo que as melhorias na estabilidade financeira”.

Essa melhoria depende fundamentalmente de dois vetores: uma redução do nível ainda elevado da dívida externa e a continuação da diminuição do crédito malparado.

A S&P decidiu, também, esta sexta-feira, retirar Chipre da classificação de 'lixo financeiro'. A agência graduou a notação da dívida cipriota para BBB-, o mesmo nível atribuído ao rating de Portugal. Chipre saiu do resgate pela troika em março de 2016.

No grupo de periféricos do euro que foram resgatados durante a crise das dívidas soberanas da zona euro apenas a Grécia continua com classificação de 'lixo financeiro' por parte da S&P que manteve em julho o rating da dívida helénica em B+, um nível de dívida altamente especulativa.

S&P não antecipa mudanças de orientação política por pressão eleitoral

Sobre a trajetória da governação, a agência "não antecipa uma mudança na direção da política no decurso até às eleições gerais de outubro de 2019 ou depois".

As previsões da S&P apontam dois marcos importantes para 2021 já no próximo ciclo político: uma descida da dívida pública para 113% do PIB e uma subida do peso das exportações para 50% do PIB.

A S&P foi a primeira agência de notação a retirar Portugal da classificação de 'lixo financeiro' no mercado da dívida de longo prazo. A decisão foi tomada a 15 de setembro do ano passado, precisamente há um ano, subindo o rating de BB+, em nível especulativo, para BBB-, o primeiro nível de "grau de investimento" e atribuindo uma perspetiva (outlook) 'estável' à notação.

A perspetiva (outlook) da notação indica a direção possível de alteração de um rating num período de entre seis meses a dois anos. Sendo positiva aponta no sentido de uma subida.

Para o ministro das Finanças, "esta atualização reflete a confiança na sustentabilidade dos progressos registados na evolução da economia portuguesa e na gestão das contas públicas, com destaque para as projeções de um crescimento económico robusto, a diminuição da dívida externa, o dinamismo do setor exportador e a solidez do processo de consolidação orçamental", segundo um comunicado do Ministério publicado após se conhecer a decisão da agência.

Expetativa em relação à decisão da Moody's em outubro

Até final do ano, a notação portuguesa será apreciada pela Moody's a 12 de outubro e pela Fitch a 30 de novembro.

A expetativa dos investidores centra-se na avaliação do próximo mês pela Moody's que ainda não decidiu retirar a dívida portuguesa de 'lixo financeiro'. Essa agência tem mantido o rating de Portugal em Ba1 (equivalente a BB+), ainda em terreno de dívida especulativa.

A Fitch, por seu lado, atribuiu em dezembro do ano passado uma notação ainda mais elevada do que a S&P, graduando a dívida portuguesa para BBB, com perspetiva estável. Uma notação de BBB está um nível acima do rating atribuído pela S&P.

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