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Norte continua a ser das regiões mais pobres do país

FELIPE RODRIGUEZ FERNANDEZ/Getty

“Não basta fazer o mesmo com mais força. É preciso fazer diferente, porque os recursos são escassos”, afirma Miguel Alves, presidente do Conselho Regional do Norte

O presidente do Conselho Regional do Norte, Miguel Alves, disse nesta sexta-feira que a região continua a ser das mais pobres do país e até da Europa e que "não basta fazer o mesmo com mais força, é preciso fazer diferente". "A região Norte, com toda força que tem, com toda a pujança económica, com a vontade das suas gentes e dos seus autarcas, continua a ser, décadas depois de receber fundos comunitários, uma das regiões mais pobres do país e da Europa", afirmou.

O responsável que falava à Lusa no final do debate sobre a participação da Região Norte no Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, que decorreu hoje na Comissão de Coordenação Regional do Norte (CCDR-N) e que contou a presença do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, defendeu que "não basta fazer o mesmo com mais força. É preciso fazer diferente, porque os recursos são escassos".

O presidente do Conselho Regional e também da Câmara de Caminha avisou que, desta vez, o país "não pode voltar a errar" e admitiu a possibilidade de até ao final do ano se poder debater "um documento já não tão extensivo ou tão pormenorizado, mas que elenque as prioridades absolutas da Região Norte".

Em declarações à Lusa, Miguel Alves disse ainda que esta reunião é também "o reconhecimento de que nem tudo foi sempre bem feito", o que levou a que, "por uma vez, pela primeira vez talvez, o governo tenha tido a preocupação de ouvir aqueles que estão no território para perceber o que é necessário fazer para alavancar o território".

"Estamos a falar de grandes investimentos. Para termos uma ideia, o que o governo nos propõe é que possamos identificar investimentos até 75 milhões de euros", acrescentou, sublinhando que "obviamente haverá investimentos estruturantes que poderão ter este valor ou até valores superiores" que não podem ser vistos de forma isolada. Segundo o autarca, "os investimentos na ferrovia ou em itinerários complementares, na rede de ferrovia continuada até Espanha, não devem ser vistos de forma isolada, mas inseridos num programa global a aplicar à região Norte".

O presidente do Conselho Regional do Norte, órgão consultivo da CCDR Norte, considera que "não se pode ficar por uma soma de vontades ou soma de projetos que pode haver em cada território, porque o dinheiro não vai chegar". Para Miguel Alves, o aeroporto Francisco Sá Carneiro, os portos de mar, neste caso o de Leixões e o de Viana do Castelo, as infraestruturas rodoviárias e a ferrovia, são questões transversais a toda região e constituem fatores decisivos quer para as empresas, quer para os territórios.

Na abertura deste debate, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse que a região Norte é "a maior plataforma exportadora" do país e que por isso a consistência dos investimentos é "muito importante para a capacidade exportadora do país".

"É uma das zonas mais dinâmicas do ponto de vista económico do país, é uma das nossas grandes, senão a nossa maior plataforma exportadora e por isso a consistência dos investimentos nos nossos portos, na ferrovia, nas ligações à Galiza, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, estes investimentos são certamente muito importantes para região, mas para a própria capacidade exportadora do país", afirmou.

Pedro Marques lembrou que "o país já pagou bastante caro pela incapacidade que teve, no passado e ao longo de décadas, de consensualizar os seus principais investimentos". Para o governante, os avanços e recuos que aconteceram em investimentos estruturantes para o país, tem feito Portugal "pagar preços demasiado elevados, em algumas circunstâncias, o que é precisamente isto que o governo quer evitar, nesta fase.

O Programa Nacional de Investimentos 2030 define os investimentos estratégicos que o país deverá alcançar na próxima década, estando articulado com os objetivos estratégicos definidos para o Portugal 2030, neste caso nos setores da Mobilidade e Transportes, Ambiente e Energia. Abrange as infraestruturas de nível nacional localizadas em Portugal continental com projetos ou programas com um investimento superior a 75 milhões de euros.