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TAP já negociou aumentos salariais de 15% ao ano até 2023

Foto Ana Brigida

Antonoaldo Neves, presidente-executivo da transportadora, diz que já negociou o acordo de empresa com 14 dos 15 sindicatos que fazem parte da TAP, em que os pilotos cederam dias de folga em troca de aumentos salariais "nunca vistos antes"

A administração da TAP está na reta final das negociações com os sindicatos, e já acordou em dar aumentos salariais aos trabalhadores de 15% por ano até 2023 - avançou hoje no Parlamento Antonoaldo Neves, presidente-executivo da TAP, numa audição requerida pelo PSD, PS e BE motivada pelo cancelamento de voos para a Madeira e a necessidade de garantir serviço público à região.

Antonoaldo Neves adiantou aos deputados que já negociou os acordos de empresa com 14 dos 15 sindicatos que fazem parte da TAP e que envolvem "aumentos salariais nunca vistos antes". Sublinhou que "a paz social é muito importante para a TAP", e no sentido de resolver as situações associadas a greves que levaram em 2018 a uma série de cancelamentos de voos, concentrados sobretudo em maio, abril e junho.

O objetivo dos aumentos salariais é "permitir que a TAP tenha base para crescer, porque o desafio que temos pela frente é muito grande", sublinhou.

O responsável da TAP referiu ainda que "todos os sindicatos tiveram de ceder em vários pontos do seu acordo de empresa" para conseguir estes aumentos salariais. Deu o exemplo dos pilotos, que cederam em voar em dias de férias ou de folgas, e também dos mecânicos, que abdicaram de ter as baixas médicas pagas por inteiro. "E a TAP é das poucas empresas em Portugal que paga dias de baixa sem limites", sublinhou.

O caso dos pilotos é o mais crítico para a TAP. "Foi um acordo muito bom. Hoje os pilotos têm um incentivo muito grande para voar em dias de folga e de férias, e serem para isso remunerados de forma adequada, o que não acontecia no passado", salientou Antonoaldo Neves. E tendo em conta o crescimento de operações que a companhia está a ter, considerou que "os pilotos estão a fazer um trabalho excepcional a ceder dias de folga em troca de aumento de salário".

Criar uma base no Porto é uma condição para o aumento de salários

Nas negociações do acordo de empresa com os sindicatos, uma das condições impostas pela administração da TAP é a criação de uma base no Porto e que os trabalhadores estejam dispostos para essa operação.

"A TAP não tem hoje uma base no Porto, a presença que temos lá é infima", adiantou o presidente-executivo da TAP. "Um dos items que propusemos no acordo de empresa é abrir uma base no Porto sem restrições de tripulantes ou pilotos face ao crescimento que queremos ter, e hoje o acordo de empresa não o permite".

Antonoaldo Neves referiu ainda que "faltam concluír negociações com um único sindicato". Questionado pelos deputados sobre o sindicato que ainda não assinou o novo acordo, Antonoaldo Neves disse sentir-se "chantageado" por este ter voltado atrás nas negociações.

"Foi dito ao sindicato dos tripulantes que face à magnitude do aumento salarial oferecido, isso também seria condicionado com a revisão das condições do acordo de empresa", adiantou Antonoaldo Neves. "Os pilotos cederam dias de folga, e todos os outros cederam condições do acordo de empresa. Eu é que me estou a sentir chantageado neste processo negocial em que um sindicato faz um acordo na mesa comigo e alega depois que não fez acordo".