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Nouriel 'Dr. Doom' Roubini prevê nova crise financeira em 2020

Conhecido por ter previsto a última crise financeira, o economista avisa agora que há riscos de um novo embate dentro de dois anos. E questiona-se sobre as lições que foram efetivamente retiradas da crise de 2007

FOTO ERIC PIERMONT/AFP/Getty Images

Nouriel Roubini, também conhecido como Dr. Doom pelo seu pessimismo, avisa que pode estar a caminho uma nova crise em 2020. Num artigo publicado no Financial Times para assinalar os 10 anos do estouro do Lehman Brothers nos EUA, que assina com Brunello Rosa, refere que "a expansão global é provável que continue este ano e no próximo porque os EUA está a ter elevados défices orçamentais, a China mantém política de estímulos e a Europa permanece numa trajetória de recuperação". No entanto, "há várias razões para que surjam condições para uma recessão global e uma crise financeira" em 2020.

E são várias as razões apontadas. Desde logo, porque o estímulo económico dos EUA terá desaparecido dentro de dois anos. Depois, porque há "atritos comerciais com a China, a Europa e os países da NAFTA, que irão aumentar mesmo se se ficar aquém de uma guerra comercial em grande escala". E, estes ingredientes "são apenas sintomas de uma rivalidade muito mais profunda para determinar a liderança global nas tecnologias do futuro", porém o "seu efeito será retardar o crescimento e aumentar a inflação".

O Dr. Doom, como é conhecido pelo seu pessimismo, afirma que existem várias politicas seguidas pelos EUA que conduzirão a uma expansão mais fraca e a uma subida da inflação, referindo por exemplo, "as restrições ao investimento estrangeiro direto, à cadeia de fornecimento de transferências de tecnologias ", ou mesmo" restrições à migração ao mesmo tempo que a população está a envelhecer". O economista norte-americano prossegue dizendo que se este conjunto de politicas vai atrapalhar os EUA, em outras geografias outras questões se levantam . A China, por exemplo, terá dificuldade em lidar com " a capacidade e alavancagem excessivas, enquanto os mercados emergentes - muitos dos quais já frágeis - serão ainda mais prejudicados por um dólar mais alto, preços mais baixos das commodities e uma China menos aquecida". Por outro lado, na Europa, refere, o aumento das tensões comerciais e o fim dos estímulos monetários do Banco Central Europeu.

Roubini chama ainda a atenção para o perigo de bolhas relativamente ao preço de determinados ativos como as ações americanas ao mesmo tempo que na dívida pública as cotações são muito baixas. Nos EUA o crédito é caro e está em níveis historicamente elevados e o setor imobiliário, quer residencial quer comercial, "é espumante em todo o mundo". O economista sublinha também que 2020 é ano eleitoral nos EUA e alerta para o facto de Donald Trump ser tentado "a criar uma crise de política externa, como já iniciou com uma guerra comercial com a China", entre outras questões como as relações com a Coreia do Norte e o Irão. Estes ingredientes provocariam um choque geopolítico, como aconteceu em 1973, 1979 e 1990, que conduziriam a um aumento dos preços do petróleo.

O economista que previu a última crise financeira global remata referindo que se esta "tempestade perfeita ocorrer em 2020, as ferramentas disponíveis estão limitadas face ao que eram em 2007/2008. A política orçamental está condicionada por dívidas públicas mais elevadas e o retorno a políticas monetárias não convencionais (como a que o Banco Central Europeu tem neste momento no terreno) pode ser frustrado pelos enormes balanços dos bancos centrais. Ao mesmo tempo, resgatar bancos ou países em tempo de populismo em vários países poderá ser bastante mais difícil.Ao contrário de uma década atrás, se ocorrer uma desaceleração económica e financeira, as ferramentas políticas disponíveis para reverter esta situação serão, provavelmente menos eficazes".