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FMI. Rédea curta para os banqueiros

Na análise a Portugal, o Fundo Monetário Internacional dá nota positiva à melhoria do setor bancário, mais capitalizado, mas deixa alertas. É preciso continuar a reduzir o crédito malparado e melhorar mais os níveis de rentabilidade

O FMI dá nota positiva ao esforço e resiliência dos bancos durante 2017 na recuperação dos balanços, no reforço dos capitais próprios e no decréscimo dos rácios de malparado (non perfoming loans), embora também sublinhe que serão necessárias medidas adicionais para fortalecer o setor, o que implicará um esforço concertado ainda maior.

Para prevenir o aparecimento de novas vulnerabilidades, o FMI aconselha as autoridades a manter o foco na preservação de padrões de crédito e na monitorização do mercado hipotecário (habitação) assim como na manutenção da redução do endividamento externo da economia.

Apesar da melhoria das perspectivas económicas, a rentabilidade dos bancos continua a ser um desafio para a geração de entidades sustentáveis e mais fortes, sublinha o Fundo. E alerta para o aumento dos custos de financiamento da banca e para a concorrência das fintech, que se intensifica e que coloca desafios aos bancos.

O rácio médio dos bancos (CET) subiu 2,5 pontos percentuais desde o final de 2016 para 13,9% no final de 2017 e durante o mesmo período o malparado caiu 9,4 mil milhões de euros face aos 496,4 mil milhões no final de 2016, o que decorreu de write-offs e vendas de carteiras e recuperação de dívidas de empréstimos baixando o rácio de NPL para 13,3% . No mesmo período o rácio de cobertura de imparidades aumentou para 49,4% quando em 2016 era de 45,3%.

Alertas para o crédito

O FMI sublinha que o crescimento do crédito concedido continua atrás da recuperação da atividade económica, embora o crédito novo tenha registado um aumento, nomeadamente o crédito às famílias para compra de habitação impulsionado por taxas de juro ainda baixas. Neste sentido, referencia como positivas as medidas macroprudenciais implementadas pelo Banco de Portugal em julho de 2018 para travar riscos excessivos na concessão de crédito num ambiente de baixas taxas de juro de forma a acautelar o incumprimento das famílias num cenário de subida das taxas de juro.

Os limites impostos - redução de prazo dos empréstimos para 40 anos e a recomendação de convergirem para 30 anos até 2022, a limitação do crédito concedido até 90% do valor do imóvel para compra de habitação própria e de 80% para outros fins (segunda habitação) e ainda a limitação da exposição crediticia das famílias a 50% do seu rendimento disponível (face a todos os empréstimos que tenham) - são positivos mas devem, segundo o FMI, ser acompanhados de perto pelas autoridades para sua melhor eficácia. Em 2017 o fluxo de empréstimos às famílias tornou-se positivo pela primeira vez desde 2011, pelo que todas as cautelas são poucas.

Malparado ainda preocupa

Apesar do decréscimo, o stock de crédito malparado "continua a ser preocupante", em particular porque o ainda elevado nível de malparado continua a dificultar o financiamento da economia e a atrasar a melhoria da rentabilidade na banca. Manter a pressão sobre os bancos para que estes fortaleçam a sua gestão de riscos e o modelo de governação é o conselho do FMI.

No final de 2017 o stock de NPL (crédito malparado) estava nos 37 mil milhões de euros, o que corresponde a 13,3% do total de crédito concedido, com cerca de metade do malparado coberto por provisões. O FMI destaca o facto de este problema em Portugal estar concentrado em três bancos. A definição de estratégias baseadas em modelos e metas de redução de ativos não produtivos deve continuar a ser monitorizados e acompanhados de perto pelas autoridades.

Endividamento das famílias e empresas ainda em alta

No que toca ao endividamento privado ainda permanece em alta, apesar da redução verificada nos últimos anos. No final de 2017, o total de dívidas das famílias e empresas foi de 73,4% e de 139,1% do Produto Interno Bruto (PIB), respetivamente, enquanto na zona euro estava nos 56,2% e 124,9%.

O FMI alerta para o facto de o endividamento das famílias as tornar vulneráveis a choques relativos a uma subida das taxas de juro, nomeadamente no caso dos agregados familiares que tenham crédito à habitação, já que a taxa variável por prazos longos se entendem até à reforma.