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Estado coloca €1000 milhões pagando mais a 10 anos, mas procura aumentou

Luís Barra

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública realizou esta quarta-feira dois leilões de Obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos pagando 0,647% no prazo mais curto e 1,854% no prazo mais longo. O custo de financiamento subiu a 10 anos e desceu a 5 anos em relação aos leilões anteriores similares. Procura por parte dos investidores foi muito superior à registada nas operações anteriores

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro colocou €1000 milhões em dívida pública de médio e longo prazo esta quarta-feira, registando um aumento da procura por parte dos investidores em relação ao verificado nos leilões anteriores similares. Mas teve de pagar uma taxa mais elevada no prazo a 10 anos do que na operação anterior realizada em 11 de julho, o que a trajetória dos juros (yields) no mercado secundário já indiciava.

Com a emissão desta quarta-feira, Portugal já realizou 84% do plano de financiamento nos mercados para o ano. Até final do ano deverá ainda colocar mais €1,2 mil milhões em dívida obrigacionista.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), dirigida por Cristina Casalinho (na foto), emitiu €672 milhões em Obrigações do Tesouro (OT) a vencerem em 2028 e €328 milhões em OT a vencerem em 2023. No prazo mais longo pagou aos investidores 1,854%, uma taxa acima de 1,727% registada no leilão de 11 de julho. No entanto, no prazo mais curto, o Estado pagou 0,647%, uma taxa abaixo de 0,746% paga na operação de 15 de junho.

Aumento significativo da procura

A procura em ambas operações foi muito superior à registada nos leilões anteriores. No prazo a 5 anos, disparou para 3,76 vezes o montante colocado, muito acima de 2,7 verificado em junho. A 10 anos, a procura foi 2,32 vezes superior à emissão, claramente acima, também, de 2 vezes registada em julho. “Notámos um aumento significativo na procura dos investidores, sobretudo na emissão com o prazo mais curto, a que não será alheio o facto de apenas a Itália e a Grécia pagarem mais que Portugal para obter financiamento", refere Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa. O especialista sublinha, ainda, que "o bom desempenho da economia portuguesa tem impedido que o prémio de risco suba" e que "a principal conclusão destas emissões é que Portugal está a conseguir emitir dívida longa a taxas cada vez afastadas dos 2%, o que é muito benéfico para a redução do custo médio de toda a dívida".

Ricardo Marques da consultora Informação de Mercados Financeiros (IMF) sublinha, por seu lado, que "dois terços da alocação foram para o prazo dos 10 anos, apesar de se ter pago cerca de 13 pontos-base acima do que se havia pago em julho. No prazo de cinco anos a colocação foi feita a um custo de cerca de 10 pontos-base abaixo do realizado em julho, mas ainda assim optou-se por fazer apenas um terço do montante nesta emissão".

O analista da IMF conclui que o bom resultado global dos leilões desta quarta-feira mostra que "não há quaisquer sinais de tensão no mercado da dívida, em especial depois de Itália nos últimos dias ter dado a entender que o seu Orçamento não irá chocar com as diretivas de Bruxelas". Recorde-se que os líderes da coligação governamental em Roma afirmaram, na semana passada, que não irão "desafiar a Europa nas contas".

Portugal está a financiar-se em 2018 com taxa em mínimo histórico

Apesar de ter pago mais a 10 anos do que em julho, a taxa registada esta quarta-feira ficou abaixo de 1,919% paga no leilão de 13 de junho. O mínimo histórico pago em juros a 5 e 10 anos foi registado nos leilões de maio, quando o IGCP pagou 0,529% a 5 anos e 1,67% a 10 anos.

Fruto de taxas historicamente tão baixas conseguidas nos mercados, o juro implícito das emissões de dívida desceu, entre janeiro e julho deste ano, para um mínimo histórico de 1,9%. Em 2017, aquele juro implícito fechou em 2,6% e no ano anterior em 2,8%. Aquando da 'saída' do programa de resgate, aquele juro estava em 3,6% e no ano de assinatura do programa da troika subira para 4,1%.

  • O Tesouro vai realizar esta quarta-feira de manhã dois leilões de dívida de médio e longo prazo com o objetivo de colocar entre 750 a 1000 milhões de euros. Os juros indicativos no mercado secundário abriram em 1,89% no prazo a 10 anos, acima da taxa paga no último leilão de julho, e 0,689% na maturidade a 5 anos, abaixo da taxa paga no último leilão em junho.