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Preço da eletricidade para o quarto trimestre disparou 18% em apenas um mês

JOEL SAGET

Contratos no mercado ibérico para o último trimestre deste ano já chegam a 77€ por megawatt hora, um dos níveis mais altos de sempre na negociação de eletricidade em Portugal e Espanha

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O preço da energia no Mercado Ibérico da Eletricidade (Mibel) acelerou nas últimas semanas e está a colocar maior pressão no custo grossista da energia elétrica para contratos válidos para os próximos meses. Só entre 10 de agosto e 10 de setembro o preço da energia para o quarto trimestre aumentou 18%, estando agora nos 77,4 euros por megawatt hora (MWh), um dos níveis mais altos de sempre.

Os contratos futuros da eletricidade para Portugal e Espanha estão a acompanhar uma tendência de agravamento do custo da energia elétrica em vários mercados europeus, refletindo o incremento do preço do gás natural e do carvão, bem como o disparo das cotações das licenças de emissão de dióxido de carbono (CO2).

Esta subida está desde final de maio a ser investigada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e a gerar dúvidas entre alguns operadores do sector elétrico sobre a justificação real desta escalada de preços, conforme o Expresso escreveu no último sábado.

O preço no mercado diário (“spot”) está agora próximo dos 72 euros por MWh, com uma valorização de 14% no espaço de um mês, mas os operadores ibéricos estão a negociar a eletricidade para o último trimestre deste ano acima dos 77 euros por MWh, um nível que bate a mais alta média mensal do mercado “spot”, que foi registada em novembro de 2008, com 76,5 euros por MWh.

Os contratos futuros para 2019 estão a ser transacionados um pouco abaixo desse patamar, na casa dos 64 euros por MWh. Ainda assim, este é um valor que também reflete um agravamento: os contratos para 2019 ficaram quase 13% mais caros em apenas um mês.

A evolução dos preços futuros da eletricidade é crítica para o custo de aprovisionamento das empresas de comercialização de energia, podendo, a curto prazo, traduzir-se em incrementos tarifários para os consumidores (domésticos e empresariais), tal como já se começou a refletir em algumas empresas.

Esses incrementos não serão tão expressivos quanto a subida percentual do mercado grossista, uma vez que uma parte significativa da fatura que as famílias pagam pela eletricidade assenta nas tarifas de acesso à rede, que incluem uma série de custos fixos do sistema elétrico.

As tarifas de acesso para 2019 (que abrangem todos os consumidores, independentemente de estarem no mercado livre ou no no regulado) serão apresentadas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) a 15 de outubro, tendo o regulador também a incumbência de fixar as tarifas de venda a clientes finais que optem por ter preços regulados (os quais são já uma minoria entre os cerca de 6 milhões de consumidores domésticos de eletricidade).

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