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Antiga Portugal Telecom com 2,8 milhões de prejuízos

José Carlos Carvalho

A Pharol (ex-Portugal Telecom) registou prejuízos de 2,8 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, valor que compara com lucros de 200 mil euros no período homólogo, em resultado dos custos operacionais

A Pharol (ex-Portugal Telecom) registou prejuízos de 2,8 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, valor que compara com lucros de 200 mil euros no período homólogo, em resultado dos custos operacionais.

"O resultado líquido consolidado no primeiro semestre de 2018 representa uma perda no montante de 2,8 milhões de euros, que reflete custos operacionais consolidados no montante de 2,4 milhões de euros, uma perda de 128 mil euros na desvalorização da opção de compra e outros custos financeiros líquidos, incluindo a desvalorização do real face ao euro no montante 251 mil euros", explica a empresa em comunicado enviado ao mercado na segunda-feira à noite.

Esta última questão, da desvalorização do real face ao euro, deve-se à participação da Pharol na operadora brasileira Oi.
A Pharol era a principal acionista daquela companhia, detendo 27,18% através da sua subsidiária Bratel, mas, com o Plano de Recuperação Judicial da Oi, a ex-Portugal Telecom passou a ter menos de 8% por ter optado não participar na recapitalização da operadora mediante conversão de dívida.

Esse Plano de Recuperação Judicial propõe-se, assim, a reduzir o passivo da companhia brasileira, através da conversão de 72,12% da dívida suportada pelos credores, aos quais serão concedidos direitos sobre a empresa.

Prevê também um aumento do capital social da Oi, razão pela qual a Pharol aprovou, há dias, um acréscimo de capital reservado a acionistas, de 26,8 milhões de euros para até 55,4 milhões de euros.

A Oi está num processo de recuperação judicial desde 2016 com o objetivo de reduzir o passivo, que ronda os 65,4 mil milhões de reais (cerca de 13,8 mil milhões de euros).

No relatório enviado ao mercado, a Pharol assinala que, "no primeiro semestre do ano, com a implementação do Plano de Recuperação Judicial e consequente aumento de capital por conversão de dívida, a Oi apresentou um património líquido positivo de 27,4 mil milhões de reais [5,8 mil milhões de euros]".

Já as receitas líquidas da Oi, neste período, baixaram 7% relativamente ao primeiro semestre de 2017 para 11,2 mil milhões de reais (2,4 mil milhões de euros).

Nestes primeiros meses do ano, a Pharol também assistiu a uma redução dos seus capitais próprios, que descerem 27,3 milhões de euros para 234,5 milhões de euros, perda que se deve em parte à "desvalorização da participação na Oi".

Por seu lado, neste período, o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) baixou para -2,4 milhões de euros, após os -2,6 milhões de euros do período homólogo.

Numa mensagem publicada no relatório, o presidente da Pharol, Luís Palha da Silva, salienta que nestes primeiros seis meses do ano a empresa portuguesa "viu o processo de recuperação judicial do seu principal ativo [a Oi] dar passos significativos".

"Apesar da posição crítica assumida através da sua participada Bratel, perante incompreensíveis decisões tomadas pela direção da empresa e sancionadas as mais das vezes pelo sistema judicial brasileiro, a Pharol, submetida a um plano que beneficiou credores oportunistas em detrimento de acionistas com largo passado de investimento e suporte à empresa, viu-se sucessivamente desapossada dos seus direitos e da sua capacidade de intervenção direta na Oi", lamenta o responsável.