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Startup do Porto cria casaco tecnológico que visa reduzir acidentes com peões

O casaco tem uma iluminação detetável a cerca de cem metros e é composto por “partículas de carvão ativado feitas através de cascas de coco recicláveis”

A 'startup' VIME, sediada no Porto, criou um casaco, que através de um sistema de iluminação inteligente, permite "aumentar a segurança" e reduzir as taxas de acidentes fatais de peões, revelou nesta segunda-feira um dos responsáveis. Em declarações à Lusa, Filipe Magalhães, diretor científico e tecnológico daquela empresa de base tecnológica em fase de desenvolvimento, explicou que através da "fibra ótica distribuída ao longo do casaco", designado de MUSGO, a segurança e a visibilidade dos peões aumentam.

"No mercado existem soluções com iluminação, mas nenhuma controlada pelo telemóvel e que tira partido dos sensores. Assim como da fibra ótica, que distribuída ao longo do casaco permite uma maior iluminação do peão", frisou. Através de uma conexão via Bluetooth, o telemóvel liga ao casaco e recorre a sensores de localização e ao acelerómetro para fazer "uma análise dos movimentos da pessoa".

"Se a pessoa for a andar de bicicleta e travar, o telemóvel deteta a travagem e envia uma mensagem de comando para o casaco, que pode piscar ou mudar de cor e, assim, transmitir essa mensagem aos condutores", explicou Filipe Magalhães. Assim, o peão é livre de escolher as configurações de iluminação, efeitos e cores que pretende, através de uma aplicação móvel. "Estas funcionalidades vão integrar uma aplicação portuguesa que já existe no mercado e que foi desenvolvida pelos nossos parceiros, a empresa tecnológica LAPA", contou.

Segundo o responsável, o casaco, que tem uma iluminação detetável a cerca de cem metros, é composto por "partículas de carvão ativado feitas através de cascas de coco recicláveis" que lhe "conferem particularidades" como a proteção contra a radiação ultravioleta, a redução de emissão de odores e uma secagem "muito mais rápida que outras fibras técnicas".

O casaco tem ainda um "bolso saudável", que isola o corpo da radiação emita pelo telefone, e outros bolsos que permitem a entrada de ar e que regulam a temperatura do corpo. Para Filipe Magalhães uma das "maiores vantagens" deste protótipo é "permitir ao condutor aferir qual o volume da pessoa que circula na via". "Muitas das vezes, vemos a luz de uma bicicleta à noite, contudo, não sabemos o tamanho da pessoa que nela circula", sublinhou.

A ideia, que surgiu há cerca de dois anos durante uma conversa de amigos, teve como principal motivação encontrar uma solução para os dados revelados, em 2016, pela agência norte-americana para a segurança rodoviária (NHTSA), que revelava que 75% dos acidentes fatais com peões ocorriam no escuro.

Na sexta-feira, dia 8 de setembro, a equipa lançou uma campanha de 'crowdfunding' na plataforma Indiegogo com o objetivo de atingir um financiamento de cerca de 70 mil euros para "avançar com a produção e venda ao público" e "cumprir os objetivos propostos". Durante os 30 dias da campanha, o casaco vai estar disponível por cerca de 250 euros, e dependendo dos objetivos atingidos poderá ser colocado à venda, inicialmente online, por cerca de 520 euros.

Este projeto conta com a parceria da SCOOP, uma empresa portuguesa especializada em produção de vestuário e têxteis, e a LAPA, uma empresa portuguesa de tecnologia.