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Preços das casas vão continuar a subir

Em Lisboa, principalmente no centro histórico, os preços já não devem subir tanto, mas haverá aumentos nas periferias, como aliás já se tem verificado na Amadora ou em Odivelas

Gonçalo Rosa da Silva

Aumento será menor e a tendência é os valores começarem a estabilizar

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Não é a notícia que a maior parte das pessoas quer ouvir, mas é a realidade: os preços das casas vão continuar a subir, pelo menos nos próximos três anos. O centro de Lisboa já estará perto de atingir o limite de aumentos, porque foi onde os valores mais cresceram até agora, mas no Porto ainda há margem para aumentar, porque “o interesse começou mais tarde”. E o mesmo se passa nas periferias destas cidades — por exemplo Amadora, Odivelas, Gaia ou Matosinhos — e até em cidades secundárias ou o no interior do país, porque é para aí que começa a haver mais procura o que pode depois levar à falta de oferta.

O lado bom é que os preços não vão subir tanto como até agora e, gradualmente, vão mesmo começar a estabilizar.

Este é a opinião consensual da maior parte dos agentes do mercado imobiliário contactados pelo Expresso. Porque, dizem, “os preços não podem continuar a crescer como até agora. Tem de haver um limite”. E é também a opinião de economistas e até de entidades financeiras. Ainda esta semana, a Standard & Poor’s (S&P) divulgou um relatório onde estima que os preços vão subir 9,5% este ano, mas que nos próximos anos — em 2019, 2020 e 2021 — vão aumentar menos, respetivamente, 7%, 6% e 5%.

As justificações para estas estimativas são várias e alargam-se às baixas taxas de juro e à boa conjuntura económica que o país está a atravessar neste momento, com aumento do emprego e, consequentemente, dos rendimentos das famílias, diz a S&P. Mas há duas razões que se destacam: a falta de oferta e o aumento da procura.

Falta de oferta

De acordo com os agentes do mercado existe uma grande necessidade de todo o tipo de imóveis mas, principalmente, de grandes empreendimentos com muitas casas novas a preços mais baixos, e não tanto de pequenas reabilitações de luxo como têm aparecido até agora. É verdade que os pedidos de licença para construção nova já estão a crescer, tal como o Expresso noticiou na semana passada (ver números) e como a S&P menciona agora no seu relatório. “O número de licenças aumentou 38% entre janeiro e abril deste ano face ao mesmo período de 2017, depois de ter crescido cerca de 25% no ano passado”, pode ler-se no documento.

Ou seja, vai haver mais oferta, mas ainda não chega para reduzir os preços, apenas para os atenuar. “O número de licenças está a crescer mas a base é muito baixa, depois de um longo período de descidas”, nota a S&P. De facto, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2010 licenciaram-se quase 20 mil edifícios para habitação, em 2011 foram perto de 17 mil e em 2013 desceu um pouco para cerca de 13 mil, mas a partir de 2014 baixou para menos de 10 mil e assim foi até 2016 e depois 2017 onde as licenças atribuídas superam as 11 mil.

Igualmente a contribuir para que a subida de preços seja apenas atenuada está ainda o facto de que esta oferta demora a ficar pronta e que, mesmo que as casas sejam vendidas em planta, não vão chegar todas ao mercado ao mesmo tempo, mas sim gradualmente. Mais precisamente ao longo do próximo ano e meio, estima o diretor do Confidencial Imobiliário, Ricardo Guimarães.

Além disso, com a procura que tem havido e vai continuar a existir, tanto da parte dos estrangeiros como da parte dos portugueses — que tem estado a aumentar agora — a tendência é para que se venda tudo muito depressa.

Procura vai continuar a subir

A forte procura que se tem verificado é a segunda grande justificação para os preços continuarem a subir. “O interesse por Portugal continua a crescer. Vejo isso lá fora”, conta o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima.

Mas agora já nem só apenas os estrangeiros. “Os preços subiram muito por causa do mercado externo que tem mais dinheiro, tem capitais próprios e não precisa de recorrer à banca. Mas a procura interna está a crescer e o nosso poder de compra é menor”, nota o economista João Duque.

É, por isso, que o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICOPPN), Manuel Reis Campos diz que muita da oferta nova que vai ser construída é para o mercado nacional e, por isso, terá preços mais baixos do que os praticados até agora. Ou seja, quando se faz a média do que está à venda e do que foi vendido, continuará a registar-se um aumento dos preços, mas inferior ao dos anos anteriores. “Com este aumento da oferta e da procura por parte das famílias portuguesas, o mercado vai produzir um ajustamento natural e os preços vão seguir para uma estabilização, mas ainda demora”, conclui Ricardo Guimarães.

AS RAZÕES

Falta de oferta
Há mais casas novas a serem licenciadas e construídas, mas ainda são poucas 
e vão demorar a chegar ao mercado.

Mais procura
A procura externa vai continuar, mas agora está a aparecer cada vez mais procura interna que tem menos dinheiro para gastar.

Economia a crescer
A economia deverá continuar a crescer este ano, ainda que menos do que no ano anterior

Mais emprego
A taxa de desemprego está a cair o que significa que há mais pessoas empregadas e, consequentemente, com mais poder de compra.

Taxas de juro baixas
As taxas de juro devem continuar baixas o que permite que o custo de fazer um empréstimo seja também mais baixo.

NÚMEROS

50 mil é o número de casas que entraram em processo de licenciamento no país todo no último ano e meio, segundo dados do Confidencial Imobiliário. Estas casas são novas e reabilitações e estão inseridas em mais de 22 mil edifícios

12 é o número de projetos novos com mais de 100 casas e ainda de reabilitações com mais de 40 casas, o que mostra como ainda não estão a construir muitos empreendimentos de grandes dimensões. Neste caso, quanto maiores mais fácil é ter preços mais baixos