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Ryanair recua e já não transfere pilotos e tripulação irlandesa para a Polónia

ANATOLII STEPANOV/Getty

Decisão visa responder às exigências dos sindicatos, nomeadamente dos pilotos irlandeses, que nos últimos meses convocaram cinco greves para reivindicar um aumento nos salários e melhores condições de trabalho

A companhia aérea Ryanair informou nesta sexta-feira que vai manter baseadas na Irlanda seis aeronaves que iria transferir para a Polónia em novembro, implicando a transferência de 300 funcionários irlandeses, após ter chegado a acordo com os sindicatos.

Em comunicado enviado à Lusa, a Ryanair explica que "decidiu manter em Dublin as seis aeronaves que estavam previstas ser transferidas para a Polónia em novembro devido ao horário de inverno". Por isso, retirou também "os avisos feitos aos 300 pilotos e tripulantes de cabine de Dublin em julho" sobre a possível mudança de base.

A decisão visa, assim, responder às exigências dos sindicatos, nomeadamente dos pilotos irlandeses, que nos últimos meses convocaram cinco greves para reivindicar um aumento nos salários e melhores condições de trabalho. De acordo com a companhia, estas cinco paralisações foram "mal sucedidas, mas prejudiciais" para a empresa, tendo sido concretizadas "por menos de 25% dos pilotos irlandeses da Ryanair em julho e agosto".

Citado pela nota, o responsável pelos recursos humanos da Ryanair, Eddie Wilson, salienta que a transportadora aérea está "empenhada no reconhecimento dos sindicatos", e trabalhará "de forma construtiva" com as estruturas sindicais para "responder às suas razoáveis preocupações, desde que isso não altere o modelo de baixo custo da Ryanair ou a sua capacidade de oferecer tarifas baixas".

Entretanto, também hoje, sete sindicatos europeus, incluindo o português Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), anunciaram que vão avançar com uma greve ao trabalho na Ryanair, decisão tomada esta tarde durante uma reunião em Roma. Em declarações à Lusa, Luciana Passo, presidente do SNPVAC, adiantou que o dia (ou dias) em que irá ocorrer a paralisação será conhecido até 13 de setembro, sendo que a greve irá ocorrer na última semana do mês.

A paralisação abrange não só os tripulantes de cabine, que têm sido dos mais críticos em relação às regras de trabalho na companhia aérea 'low cost' irlandesa, mas também pilotos e serviços de 'handling' (assistência em terra) da empresa. A greve está a ser convocada por dois sindicatos italianos, o SNPVAC, uma estrutura sindical belga, duas espanholas e uma holandesa.

Em cima da mesa está a exigência que os contratos de trabalho da Ryanair sejam feitos segundo a lei laboral nacional de cada país, e não a irlandesa, que tem sido a usada pelo grupo. Os sindicatos contestam ainda o recurso a trabalhadores contratados por empresas de trabalho temporário, que funcionam na órbita da companhia aérea. Estes funcionários acabam por ter condições mais precárias de trabalho.

Questionada pela Lusa sobre este anúncio feito hoje, fonte oficial da Ryanair escusou-se a fazer comentários. A Ryanair tem estado envolvida num conflito com sindicatos a nível europeu, também com impacto em Portugal, nomeadamente depois de uma greve da tripulação de cabine em abril, em que a empresa foi acusada de intimidar os trabalhadores.