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Farfetch quer vender 37,5 milhões de ações na entrada em bolsa

José Neves fundou a Farfetch

D.R.

Unicórnio luso-britânico especializado no retalho online de artigos de moda, maioritariamente de luxo, quer alienar 11% do capital e angariar 637,5 milhões com a entrada na bolsa de Nova Iorque. Títulos serão vendidos entre 15 e 17 dólares

Duas semanas e meia depois de ter entregue o seu pedido de admissão à bolsa de Nova Iorque, o unicórnio luso-britânico Farfetch revelou mais detalhes sobre a operação - e anunciou que está pronto para avançar. O documento, citado pela Bloomberg, foi enviado pela tecnológica à SEC - Securities and Exchange Commission, o regulador norte-americano equivalente à portuguesa CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

A empresa sediada em Londres quer angariar 637,5 milhões de dólares (549,4 milhões de euros) na oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa) em Nova Iorque, com a venda de 37,5 milhões de ações a um preço entre 15 e 17 dólares (cerca de 13 e 15 euros) por ação. Vai assim alienar 11% do capital.

A tecnológica fundada por José Neves quer vender 30,6 milhões de títulos ordinários (classe A) e 7,45 milhões de ações alienadas pelos acionistas (classe B). A operação, que será conduzida pelos bancos de investimento Goldman Sachs, JPMorgan, Allen & Co e UBS, surge na sequência dos planos de expansão da Farfetch.

A estimativa da empresa é que o encaixe líquido da venda das ações de classe A alcance 446,5 milhões de dólares (384,8 milhões de euros) - isto "assumindo que as ações [ordinárias] serão vendidas no ponto médio do intervalo de preços do IPO, 16 dólares, mas também descontando os custos da admissão ao mercado", especifica.

Em relação ao títulos de classe B, diz que não irá receber "qualquer valor referente às ações dos atuais acionistas".

Com cerca de 935 mil utilizadores no final do ano passado (um aumento de quase 44% em relação a 2016) e 3200 marcas (na sua maioria de luxo, como a Gucci ou a Chanel), a empresa especializada no retalho online de artigos de moda tem registado um grande crescimento: entre 2015 e 2017 duplicou as suas receitas. No ano passado contabilizou 386 milhões de dólares (332,6 milhões de euros), mais 144 milhões (124 milhões de euros) que no ano anterior.

A entrada no mercado chinês, onde a empresa tem uma parceria com o gigante de comércio eletrónico JD.com (que se tornou também num dos seus maiores acionistas), deu um empurrão.

Mas a tecnológica avaliada em mil milhões de dólares ainda não é rentável e tem aumentado os prejuízos nos últimos anos. Em 2017, os prejuízos antes de impostos subiram para 68 milhões de dólares (58,6 milhões de euros), mais do dobro do que no ano anterior.