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Uma adega com a marca do Cartaxo

A direção e a enologia da Adega do Cartaxo está a apostar na valorização dos seus vinhos

nuno botelho

A Adega Cooperativa do Cartaxo soma investimentos de €12,3 milhões e está a apostar nos vinhos com o selo Tejo

Na Adega Cooperativa do Cartaxo há uma sala com o palmarés de prémios conquistados dentro e fora do país, a reconhecer a “aposta estratégica da direção na qualidade e na consistência da oferta. E só no ano passado foram 63 galardões”, sublinha José Barroso, um dos três administradores desta casa que na última edição do Mundus Vini, em março, arrecadou três das 4 medalhas Grande Ouro atribuídas no certame alemão aos vinhos portugueses.

“Não gostamos de ver os vinhos carregados de medalhas, como um general, mas os nossos comerciais insistem na importância destes prémios para a notoriedade da marca e nós queremos afirmar-nos no mercado pela qualidade, queremos valorizar os nosso vinhos”, comenta José Barroso.

Quando a atual administração entrou em funções, há 14 anos, percebeu de imediato que tinha de lutar contra três estigmas porque tinha nas mãos uma adega cooperativa que estava no Cartaxo e no Ribatejo. Ainda pensou em mudar de nome para se apresentar aos clientes como qualquer produtor e “ver a qualidade reconhecida mais facilmente”. Acabou por manter a sua marca “com orgulho”, apesar de admitir que “cooperativa” tende a ir saindo do nome, por ser demasiado extenso.

A verdade é que “o quadro melhorou”, mas a adega ainda sente que está a ser penalizada pelo mercado. O vinho Encostas do Bairro, com um preço de venda ao público na ordem dos €1,2, poderia custar o dobro se esta não fosse de uma adega cooperativa, admite José Barroso.

Com 220 associados que têm uma área de vinha de mil hectares e com um volume de negócios de €9,4 milhões, a Adega do Cartaxo tem conseguido, no entanto, aumentar o seu portfólio e lançar vinhos num um posicionamento de preço mais alto. A gama Bridão varia entre os €2,2 e os €5 e as 3890 garrafas de Desalmado 2012 chegaram ao mercado a €22, e esgotaram em 10 meses.

Ao mesmo tempo, a equipa de 34 pessoas trabalha para aumentar a percentagem de vinhos certificados com o selo de vinhos do Tejo, atualmente nos 20%, mas com um crescimento de 80% ou €200 mil em 2017.

A estratégia da casa, que tem 3 linhas de engarrafamento dentro de portas, inspirou-se no exemplo de Borba, no Alentejo, para valorizar ou penalizar o pagamento das uvas em função da qualidade, da graduação, da produtividade por hectare e do estado sanitário. Isto significa que o preço pago pelo quilograma da uva na última vindima variou entre os 26 cêntimos e os 75 cêntimos, a partir de um valor base de 35 cêntimos.

Fechada a novas adesões, de forma a garantir a estabilidade de preços e o escoamento de toda a produção, a adega do Cartaxo está a investir este ano mais de €170 mil na promoção externa, em destinos como o Brasil. Tem 30% das vendas no estrangeiro e quer aumentar esta percentagem, o que a obriga a entregar vinhos exclusivos a alguns distribuidores locais, como acontece na China, onde comercializa oito rótulos que não vende em Portugal.

Nos últimos anos os projetos de ampliação e modernização das suas instalações envolveram €10 milhões e há mais €2,3 milhões para investir agora na vinificação e no aumento da capacidade instalada no armazenamento e na fermentação (+60%).
Mas a regra será sempre “dar um passo de cada vez, de forma sustentada, para poder ter as contas em dia com os sócios e pagar as 4 prestações anuais devidas a cada um sem atrasos”, garante José Barroso, confiante no caminho que tem vindo a ser seguido neste negócio, até porque há muitos associados que estão a aumentar as suas áreas de vinha.