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Os terraços de Nova Iorque estão a deixar de ser privados

A piscina do empreendimento American Cooper, junto ao rio, fica no último piso e está aberta a todos os moradores e até a pessoas de fora, mediante pagamento de uma taxa

d.r.

Últimos pisos dos prédios começam a estar abertos a toda a gente

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

No mercado imobiliário de luxo há uma espécie de regra: as casas dos últimos pisos são, quase sempre, as mais caras. Não só porque costumam ter as melhores vistas, mas porque são maiores e têm também amplas áreas exteriores, com terraços e piscinas. Tudo privado.

Esta tendência costuma ser mais expressiva em cidades onde se constrói muito em altura, como Nova Iorque, Londres, Dubai ou Hong Kong, mas até em Lisboa e no Porto grande parte dos prédios já construídos ou em projeto têm as casas mais caras nos últimos pisos e, além da dimensão, também têm terraços e/ou piscinas privados.

Veja-se a casa mais cara que está atualmente à venda no país. Ocupa os 12º, 13º e 14º pisos de um edifício na Rua Castilho e tem 535 m2 interiores, um terraço de 260 m2 com piscina privativa, solário, barbecue, kitchnette, bar e lareira e ainda uma vista de 360 graus sobre Lisboa. Tudo por €22 mil por m2 ou €12,5 milhões.

Mas esta máxima do mercado, que está a ganhar cada vez mais força em Portugal, está a mudar em Nova Iorque. De acordo com o “New York Times”, vários dos arranha-céus para habitação que estão agora a ser projetados ou já estão em construção, tanto para venda como para arrendamento, não têm casas de superluxo no topo.

Os promotores têm optado por ocupar esse espaço com piscinas, ginásios, terraços, restaurantes ou salas de condomínios modernas, com cozinhas e zonas de jogos. Valências que costumavam estar nos pisos térreos ou do meio ou que nem sequer estavam acessíveis a todos os moradores e que agora são de livre acesso, até para pessoas de fora.

O projeto American Copper Buildings é um exemplo. Fica junto ao East River, do lado de Brooklyn, e onde se ergue a Brooklyn Bridge, e é composto por duas torres, uma de 41 andares e outra de 48. Numa delas, o último piso está ocupado por um terraço com piscina (na imagem), chuveiros, bar, zona para grelhados e jantar e ainda com uma vista desafogada sobre o rio e a cidade. Tudo de livre acesso, mas com um custo adicional que ainda não foi revelado.

É que, ao abdicar das casas de superluxo nos últimos pisos, os promotores estão também a abdicar de receber os muitos milhões — há exemplos a 50 milhões de dólares ou mais — a que as iam vender e, por isso, têm de compensar o dinheiro que perdem cobrando para se ter acesso a estas novas zonas comuns.

Segundo o “New York Times” esta tendência é também uma forma de compensar os compradores ou arrendatários por as casas tenderem a ser cada vez mais pequenas, mas a principal razão é mesmo porque o mercado de Nova Iorque está em quebra.

De acordo com um estudo citado pelo jornal, no segundo trimestre deste ano, o volume de vendas em Manhattan caiu para o nível mais baixo desde 2009 e o preço médio de venda caiu 7,5%, para 1,1 milhões de dólares (€940 mil). Já as rendas mensais caíram 2,9% para 3400 dólares. Quem sabe se, quando o mercado estiver em alta, os terraços de Nova Iorque voltam a ser um luxo privado que vale milhões.