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Juros da dívida de Itália disparam em agosto. Portugal contagiado

O custo de financiamento da dívida transalpina a 10 anos registou um máximo desde 2014. Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos sobem para 1,9% no final de agosto e indiciam que o Estado vai pagar em setembro taxas mais elevadas do que as que pagou nas emissões de julho

Jorge Nascimento Rodrigues

O risco italiano não para de subir. Em final de agosto aumentou para 291 pontos-base, o equivalente a um spread de 2,9 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência na zona euro.

A subida em agosto foi de 63 pontos-base depois dos juros (yields) dos títulos transalpinos a 10 anos registarem no mercado secundário máximos de quatro anos, fechando em 3,24% na sexta-feira. No mercado primário, de emissão de dívida, o Tesouro italiano pagou 3,25% numa colocação de €2,25 mil milhões de títulos a 10 anos na quinta-feira. No leilão anterior pagara 2,87%.

O disparo nos juros e no prémio de risco italiano em agosto provocou uma onda de contágio em outros periféricos do euro com destaque para a Grécia e mais moderadamente para Portugal e Espanha.

Itália vai regressar ao défice excessivo?

Os investidores temem que, em setembro e outubro, se agrave o confronto entre Roma e Bruxelas a propósito das metas de défice para 2019, com o governo italiano de coligação entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga disposto a ‘furar’ o teto do défice público de 3% do PIB, recolocando Itália no campo do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). Itália reduziu o défice de 2,6% em 2015 para 2,3% em 2017 e as previsões da Comissão Europeia apontavam para 1,7% em 2018.

O ministro da Economia italiano, Giovanni Tria, reafirmou na semana passada que a Itália “é um país confiável” e que a saída do euro não faz parte do programa do governo, procurando continuar a tranquilizar os mercados financeiros quanto a uma rotura no horizonte próximo.

Já depois do fecho dos mercados financeiros na sexta-feira, a agência de notação Fitch agravou a perspetiva (outlook, na designação usada pelas agências) de estável para negativa, ainda que mantendo o rating da dívida italiana de longo prazo em BBB, em terreno de dívida não especulativa, similar à notação portuguesa.

IGCP deverá pagar taxas mais altas nas emissões de setembro

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português a 10 anos subiram 12 pontos-base em agosto no mercado secundário, fechando o mês em 1,9%, um máximo de dois meses. Esta subida indicia que Portugal vai pagar taxas mais altas do que em julho nas próximas emissões de dívida obrigacionista que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Publica (IGCP) vai realizar em setembro.

O IGCP pagou um mínimo histórico de 1,67% na colocação de dívida obrigacionista a 10 anos que realizou em maio e 1,727% na última emissão de julho. Em agosto não realizou leilões de obrigações. A subida dos juros a 10 anos no mercado secundário em agosto, com os níveis atuais acima de 1,9%, aponta para o regresso do custo de financiamento da dívida neste prazo de referência ao nível do registado em junho, quando o IGCP pagou 1,919% no leilão então realizado.

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu 25 pontos-base em agosto, fechando em 158 pontos, o equivalente a um spread de 1,58 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos, que desceu de 0,45% no final de julho para 0,33% no final de agosto.

Grécia na linha da frente do contágio

Os juros da dívida helénica foram em agosto os mais contagiados no mercado secundário pelo risco italiano. No prazo a 10 anos, fecharam na sexta-feira em 4,4%, um aumento de 44 pontos-base em relação ao final de julho.

Atenas acabou de sair do terceiro resgate a 20 de agosto, tendo o primeiro-ministro Alexis Tsipras realizado uma remodelação governamental na semana passada, mantendo Euclid Tsakalotos como ministro das Finanças. Tsipras anunciará na próxima semana, na Feira Internacional de Tessalónica, a estratégia governamental para o próximo ano. Os analistas gregos esperam que o governo de Atenas procure equilibrar o cumprimento das metas para um excedente primário orçamental elevado, de 3,5% do PIB, com medidas de alívio social.

Os juros da dívida espanhola foram os que menos sofreram o contágio italiano, tendo subido apenas oito pontos-base em agosto, fechando em 1,5% no prazo a 10 anos. Os juros da dívida da Irlanda, considerada um periférico aquando da crise das dívidas em 2010-2012, desceram em agosto, seguindo a tendência das economias do centro. Os juros a 10 anos fecharam em 0,87%.