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Global Media vende Jornal do Fundão a jornalistas

Um grupo de jornalistas, onde se encontra o atual diretor Nuno Francisco, e docentes universitários compraram a maioria do capital do Jornal do Fundão à Global Media. Objetivo é revitalizar o site e o jornal e, em 2019, lançar uma revista mensal e uma webTV

Revitalizar o Jornal do Fundão (JF) e modernizar a imprensa do interior: é este o objetivo dos novos acionistas do jornal regional fundado em 1946 por António Paulouro.

A sociedade Vereda de Letras - criada com o intuito de assegurar a continuidade do JF - adquiriu esta semana à Global Media a sua participação naquele título (90%). Entre os novos acionistas estão os jornalistas Nuno Francisco, diretor da publicação desde 2013, Rui Pelejão Marques e Fernanda Gabriel, os professores da Universidade da Beira Interior, José Ricardo Carvalheiro e Paulo Serra, e o engenheiro José Pedro Gavinhas.

A venda, anunciada esta quinta-feira pela Global Media e pelo JF, encerra assim um ciclo iniciado há duas décadas, quando a proprietária do "Diário de Notícias", do "Jornal de Notícias" e da TSF comprou a participação à Lusomundo. Em abril, 3470 números e 72 anos depois, a dinastia Paulouro tinha chegado ao fim, quando os descendentes do fundador António Paulouro decidiram vender à Global Media a sua participação (39%).

"Esta venda à Vereda das Letras, Lda garante ao Jornal e aos seus jornalistas continuarem a desenvolver o seu projeto editorial com a independência que lhe é reconhecida continuando este órgão de comunicação social a ser um jornal de referência na região", sublinha em comunicado a Global Media, que alienou o título para focar-se nos projetos do grupo com foco no digital e na sua internacionalização.

Ao Expresso, Rui Pelejão afirma que o objetivo "é usar uma marca com um património importante para modernizar a imprensa do interior". "Acreditamos que a informação local tem público", sublinha, acrescentando que os sete mil assinantes do jornal oferecem "uma base de trabalho interessante".

Os novos acionistas pretendem, segundo escreveram num artigo publicado no site do jornal, "assegurar a continuidade dos valores essenciais e humanistas que são o legado de António Paulouro" num jornal por onde já passaram nomes como José Saramago, Eduardo Lourenço, José Cardoso Pires, Fernando Lopes-Graça, Baptista-Bastos, entre outros. Um legado que, segundo dizem, "não merece estar encerrado num museu, mas na banca ou na caixa do correio".

O projeto de informação regional vai assentar em várias plataformas e novas ferramentas de jornalismo - como vídeos, podcasts e redes sociais. "Queremos estar onde o nosso público está, servindo-lhe aquilo que queremos dar - bom jornalismo, boas histórias, pluralismo de opinião, matéria de reflexão", acrescentam.

Pelejão concretiza ainda mais. A curto prazo, as prioridades passam pela renovação da versão impressa e do site. E, em 2019, querem lançar uma revista mensal e, em colaboração com a comunidade local, uma webTV. Esta última "não será um canal de informação clássico, mas documental", explica ao Expresso.

O jornalista especializado em automobilismo, ex-colaborador do jornal "Expresso" e da "Exame", regressa assim ao título onde deu os primeiros passos no jornalismo, como o próprio recordou numa publicação na sua página do Facebook.

"Vinte e cinco anos depois desses tempos do JF Jovem e da coluna 'O Bom, o Mau e o Vilão', vinte e cinco anos depois de ter começado a minha carreira no jornalismo, regresso a casa", escreveu. "A partir de hoje inicio uma nova aventura na minha vida e porventura a mais apaixonante e desafiante - ajudar o atual diretor e meu amigo Nuno Francisco a transformar o Jornal do Fundão naquilo que ele deve e pode ser - uma grande marca de informação, cultura, conhecimento e identidade que transborde as fronteiras de uma região, mas que não deixe de ser a voz forte, crítica e empenhada que sempre foi, desde que a sua fundação em 1946 por António Paulouro."