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Morreu Pedro Queiroz Pereira

O empresário tinha 69 anos

Alberto Frias

Era um dos mais importantes empresários de Portugal, dono da gigante Navigator (antiga Portucel) e da cimenteira Secil

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto

O empresário Pedro Queiroz Pereira morreu este sábado. Tinha 69 anos.

Era um dos mais importantes empresários de Portugal, detentor, segundo a revista Exame, de uma fortuna avaliada em 779 milhões de euros (em conjunto com a mãe Maud), o que fazia dele o sétimo mais rico do país. .

Acionista maioritário do grupo Semapa, proprietário da Navigator (o gigante da pasta e papel antes conhecido como Portucel), mas também da cimenteira Secil e de negócios na área do ambiente e da energia, Queiroz Pereira era conhecido por não ter papas na língua, mas também por cultivar alguma discrição. Não gostava de falar mais do que o necessário – regra geral só dava entrevistas quando considerava absolutamente essencial passar alguma mensagem.

A última entrevista que deu ao Expresso foi a 6 de fevereiro de 2016, onde deixou no ar a ameaça de cancelar os investimentos que tinha previsto para Portugal, na sequência da decisão do Governo de travar a expansão da área de eucalipto no país, no âmbito do acordo alcançado com o Partido Ecologista os Verdes. Investir em Portugal? “Temos de pensar duas vezes e enchermo-nos de coragem”, disse nessa entrevista.

No seu percurso empresarial, ficou célebre a guerra que travou com o Governo de António Guterres em 2001 por causa da Cimpor, empresa que tentou controlar, sem sucesso, tendo chegado a chamar mentiroso ao ministro das Finanças de então, Joaquim Pina Moura. Chegou a lançar uma oferta pública de aquisição sobre a cimenteira, em conjunto com a suíça Holcim, mas acabou por ver a Cimpor entregue ao bloco Teixeira Duarte, BCP e Lafarge. Que acabou por não ficar também a controlar a cimenteira. Esta operação fracassada era uma das suas grandes mágoas, atendendo a que a Cimpor acabou nas mãos do grupo brasileiro Camargo Corrêa, que a tem vindo a desmembrar.

Mas se teve azar na Cimpor, o mesmo não se pode dizer quanto à Portucel que conseguiu passar a controlar em 2004 e que é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro, exportando para inúmeros países e com grandes projetos de investimento, nomeadamente em Moçambique.

Tinha uma ligação histórica ao Grupo Espírito Santo, do qual era acionista, mas o caso Cimpor acabou por marcar uma rutura com Ricardo Salgado, a quem chegou a acusar de traição.

Mas foi mais recentemente, em 2013 e 2014, que a má relação com Salgado veio verdadeiramente ao de cima, na sequência de uma disputa familiar com as suas irmãs. Queiroz Pereira acusou Ricardo Salgado de se unir à sua irmã Maude para tentar controlar o grupo Semapa.

A guerra com Salgado foi determinante para o colapso do Grupo Espírito Santo. Queiroz Pereira, enquanto acionista, sabia de muito do que por lá se passava. Começou a fazer perguntas e denúncias. E, pelo meio, não só ajudou a acabar com o reinado de Ricardo Salgado como ainda forçou a irmã a fazer uma separação de águas, conseguindo passar a controlar a Semapa. “O grupo agora é meu”, disse na entrevista ao Expresso.

Nos últimos anos foi-se afastando da gestão executiva das empresas. Atualmente era presidente do conselho de administração da Semapa, tendo como presidente executivo João Castello Branco, e também da The Navigator Company, que tem como presidente executivo Diogo da Silveira, e da Secil, que tem a liderá-la o suiço Otmar Hübscher.

Uma das suas paixões era o automobilismo. Chegou a ser piloto de corridas – veio daí a designação PQP pela qual ainda hoje é conhecido. Assumiu a gestão das empresas do grupo na sequência da morte do pai e do irmão mais velho.

Ficou viúvo em 2014. As suas filhas Mafalda, Lua e Filipa assumem agora o seu património, cujo desmembramento ficou prevenido no ano passado, segundo o Jornal Económico, através da criação de um fundo privado fechado, subscrito apenas por elas, que gere o acervo patrimonial.