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Jorge Bleck sobre Pedro Queiroz Pereira: “Era homem de coragem e arrojo invulgares”

Alberto Frias

Advogado e amigo de longa data de Pedro Queiroz Pereira recorda, em texto enviado ao Expresso, o “lutador nato”, que vivia para "desenvolver o país que amava". A homenagem ao homem que “abominava os salões da política, as intrigas de palácio e a subjugação ao poder”.

“Ficamos, o país e eu, mais pobres sem ele. Para mais, devo-lhe a gratidão de ao seu lado me ter permitido travar grandes e duras batalhas que só ele tinha coragem de travar. Era um lutador nato e um homem de coragem e arrojo invulgares. Perspicaz como poucos e com um especial faro para o bom investimento, não hesitava em avançar, acutilante, quando outros, mais temerários, ainda se prendiam em mil elucubrações e teorizações. Íntegro, até por herança e feitio, respirava seriedade e paixão por fazer as coisas bem e by the book. Coragem a rodos e determinação imparável, abominava os salões da política, as intrigas de palácio e a subjugação ao poder. Era, também por isso, um adversário de respeito.

Convicto, era um interlocutor nada fácil, com invejável lógica argumentativa e denodada paixão em fazer valer o seu ponto de vista. Sim, era difícil discordar dele. Simultaneamente objetivo, mas não sem deixar de ser temperamental, movia-o a paixão por investir e por criar riqueza e emprego. Para si, a riqueza pessoal não era, de todo, um objetivo seu e, sobretudo, não o fazia mexer nem um milímetro; era para si como que um subproduto de quem como ele empreendia, algo que sentia como um dever. Daí também a sua obsessão em ser discreto e desprezar o show-off da nova riqueza arrivista.

Só uma coisa o entusiasmava profissionalmente: desenvolver o país que amava. Tivesse ele nascido num país mais acolhedor à iniciativa privada e teria ido ainda mais longe do que aqui foi. Por isso o trucidava ver o caminho que o país leva no que ao ataque à iniciativa privada respeita. Mas ainda assim amava o seu país e dele só pedia que o deixassem criar emprego e desenvolver indústria. Investiu e reinvestiu como poucos e multiplicou por muito o que herdou de outro grande industrial português que fora seu pai e, antes deste, seu avô.

Pai embevecido e de fortes laços de família, quis o destino pregar-lhe a (má) surpresa de, há meia dúzia de anos e extemporaneamente, perder a âncora que desde os seus 17 anos lhe serviu de amarra, com uma descrição tal que nem ele se apercebia a maior parte das vezes.

Homem de enorme coração, generoso e solidário, muitas das vezes com a consciência plena de que abusavam de si; pouco lhe importava já que gostava de ajudar os outros, na descrição absoluta, como lhe ensinaram. Definitivamente, era um Homem Bom e um Grande Empresário. Para além disto era um Grande Amigo; mesmo quando discordávamos.

O país e eu estamos mais pobres. So long, Pedro. Vou ter saudades. Só espero que o Céu exista e que lá reencontres a Rita. Bem hajas por tudo. Por certo os teus irão seguir o teu exemplo, até porque essa seria a maior homenagem que te poderiam fazer. Grande Abraço."