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CP: pressão aumenta. Audições parlamentares e greves à vista

OCTÁVIO PASSOS/Lusa

Ministro do Planeamento e presidente da CP vão ao Parlamento falar do sector. Trabalhadores em ações de protesto entre 20 de setembro e 3 de outubro

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto

A administração da CP vai continuar em funções, apesar de notícias que esta semana deram conta da sua saída. O “Público” dizia na terça-feira que o Governo já estava à procura de uma nova equipa para substituir a liderada por Carlos Nogueira, que entrou em funções há um ano e um mês. Mas o ministério do Planeamento e das Infraestruturas desmentiu a notícia, referindo que “o conselho de administração da CP está a trabalhar normalmente”.

O que é certo é que a pressão sobre a CP está a tornar-se pesada e ruidosa, perante o acumular de sinais de mau funcionamento da empresa. Quem vai arcar com as consequências? Essa é a questão que se coloca — a administração ou o Governo?

O tema dos comboios vai continuar na agenda política nos próximos tempos pois quer o ministro do Planeamento, Pedro Marques, quer Carlos Nogueira, deverão ir à Assembleia da República falar da situação da ferrovia a seguir às férias parlamentares. O CDS admitiu entretanto antecipar a reunião prevista da Comissão Permanente do Parlamento devido à gravidade do problema. Os próprios trabalhadores e sindicatos do sector fazem questão de manter a pressão. Entre 20 de setembro e 3 de outubro está agendado um conjunto de ações de alerta e de exigência de medidas em protesto contra a falta de investimento e a redução do número de trabalhadores. A 3 de outubro está mesmo marcada uma greve.

Quanto à empresa, continua calada. A última vez que o seu presidente falou publicamente foi no Parlamento, a 11 de julho. Na altura disse que a CP só deverá ter novos comboios em 2022, o que levará a que tenha de alugar mais a Espanha e a continuar a reparar os existentes, apesar das limitação na atividade da manutenção, a cargo da EMEF. “Será aberto um concurso internacional para aquisição de um conjunto significativo de unidades, mas abrindo-o no primeiro trimestre do próximo ano, como foi dito pelo ministro, demora sempre três anos até estar finalizado”, disse Carlos Nogueira na altura.

A necessidade de compra de material circulante tinha sido apontada pelo anterior presidente da CP, Manuel Queiró, há cerca de dois anos. Antes de sair, Queiró ainda tentou deixar o processo em andamento, mas o Governo travou essa pretensão. E dos 35 comboios previstos — 10 de longo curso — apenas deverão avançar 22 para o serviço regional. O Governo tem garantido que está atento ao problema da ferrovia, referindo que continua a “preparar” o concurso internacional, ao mesmo tempo que reclama os louros de estar a fazer o maior investimento na ferrovia desde há 100 anos, com o troço entre Évora e Elvas, que permitirá a ligação do porto de Sines a Madrid.

O “Jornal de Negócios” lembrava esta semana que os transportes ferroviários sob a tutela dos ministérios do Planeamento e Infraestruturas (CP e Infraestruturas de Portugal) e do Ambiente (Metros de Lisboa e Porto) têm cativada despesa com aquisição de bens, serviços e projetos de €100,4 milhões, de acordo com dados da execução orçamental de abril. Desde 2014 que a CP não recebe indemnizações compensatórias.