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Portugueses entregam 530 toneladas de medicamentos fora de uso

Marcos Borga

Valormed antevê melhor desempenho em 2018, graças a campanhas de sensibilização para a necessidade de depósito, nas farmácias, de remédios fora de prazo e de embalagens vazias

As farmácias portuguesas receberam mais de 530 toneladas de resíduos de medicamentos, no primeiro semestre de 2018, segundo dados da Valormed, a entidade sem fins lucrativos que faz, desde 1999, a gestão das embalagens vazias e de remédios fora de uso.

As previsões da Valormed vão no sentido de um aumento dos valores registados em 2017, para o qual também contribuiu o subsistema de resíduos de uso veterinário. Foram entregues “pelas explorações pecuárias nos centros de receção aderentes um pouco mais de 30 toneladas de resíduos”, avança a Valormed.

A partir do centro de tratamento de resíduos da empresa foram enviadas para reciclagem 151,2 toneladas de papel e cartão, 7,5 de plástico e 55,8 de vidro, o que corresponde a uma taxa de reciclagem de embalagens a rondar os 64%, adianta a Valormed em comunicado.

O trabalho da Valormed passa por um centro de triagem onde são rececionados os contentores recolhidos nas farmácias e também nos centros de receção veterinários. Ali, os resíduos são separados e classificados. “O papel/cartão, vidro e plástico são encaminhados para operadores de reciclagem devidamente autorizados e licenciados para tratar cada um destes materiais e tudo o resto é encaminhado para incineração segura com valorização energética”, explica ao Expresso fonte oficial da empresa.

A Valormed não faz qualquer “tratamento” a restos de medicamentos que os cidadãos possam entregar misturados com os restantes materiais nas farmácias, esclarece a mesma fonte.

Em 2017, a Valormed recolheu 1037 toneladas de resíduos de medicamentos, mais 7,6% face ao ano anterior. Deste total, 407 toneladas foram encaminhadas para a reciclagem, enquanto o restante foi incinerado.

“A intervenção junto da sociedade portuguesa por parte da Valormed continua a ter um efeito positivo. A divulgação da sua função e atividade, desenvolvida pela realização de ações de publicidade em diferentes meios de comunicação e através das farmácias aderentes, está a demonstrar que os cidadãos são cada vez mais sensíveis às questões relacionadas com a preservação do ambiente e proteção da sua saúde, pelo que, está a crescer a sua preocupação e hábito em entregarem os resíduos de medicamentos que produzem em casa”, congratula-se a empresa.

Com a Valormed criou-se um sistema autónomo para a recolha e tratamento dos resíduos de medicamentos, “conduzindo a um processo de recolha e tratamento seguros”. Desta forma, evita-se que, por razões de saúde pública, estejam “acessíveis” como qualquer outro resíduo urbano”.

O que devo entregar na farmácia?

Os medicamentos fora de prazo ou que já não utiliza ou necessita e os materiais usados no acondicionamento e embalagem dos produtos (cartonagens vazias, folhetos informativos, frascos, blisters, ampolas, bisnagas). Também devem ser entregues os acessórios necessários para facilitar a administração dos remédios (colheres, copos, seringas doseadoras, conta gotas, cânulas).

O que não devo entregar?

Agulhas ou seringas (sem serem as doseadoras, como por exemplo, as que vêm com os antibióticos pediátricos), termómetros, aparelhos elétricos ou eletrónicos, gaze e material cirúrgico, produtos químicos, fraldas e radiografias (neste caso só devem ser entregues quando a AMI lança a sua campanha anual nas farmácias).

Quais são as farmácias aderentes?

Praticamente todas as farmácias espalhadas pelo território nacional, Continente e Ilhas. Regra geral estão identificadas com um autocolante a dar conta que são uma Ecofarmácia.