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Desemprego desce para 6,7% no segundo trimestre e bate novo recorde desde a crise

Tiago Miranda

Dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados esta quarta-feira indicam que a taxa de desemprego desceu 1,2 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre e recuou 2,1 pontos percentuais em termos homólogos

Tal como antecipado, a taxa de desemprego em Portugal voltou a cair no segundo trimestre, baixando para 6,7%. Trata-se do "valor mais baixo da série iniciada no primeiro trimestre de 2011", assinala o Instituto Macional de Estatística (INE), no destaque à comunicação social divulgado esta quarta-feira.

Este valor significa que a taxa de desemprego recuou 1,2 pontos percentuais face ao primeiro trimestre do ano e 2,1 pontos percentuais em termos homólogos (ou seja, em relação ao segundo trimestre de 2017).

Os dados trimestrais agora divulgados pelo INE não são ajustados de sazonalidade - ao contrário do que acontece com as estimativas mensais - o que impulsiona ainda mais a descida do desemprego. É que a sazonalidade joga tradicionalmente a favor da criação de emprego no segundo trimestre do ano. Por exemplo, devido às contratações para a época alta do turismo.

Sinal disso, o recuo da taxa em cadeia, ou seja, em relação aos três meses anteriores, foi agora mais expressivo do que nos trimestres anteriores.

Queda do desemprego está a abrandar

Contudo, se olharmos para a variação homóloga, por forma a anular este efeito da sazonalidade - uma vez que comparamos sempre o mesmo período de cada ano -, a queda da taxa de desemprego está a abrandar. Os 2,1 pontos percentuais de queda agora registados comparam com -2,2 pontos percentuais no primeiro trimestre do ano e com -2,4 pontos percentuais no último trimestre de 2017.

Uma evolução esperada pelos especialistas. É que Portugal pode estar já no limiar, ou mesmo abaixo, da taxa natural ou estrutural de desemprego, tal como o Expresso Diário destacou esta terça-feira. Ora, a partir desse limiar é mais difícil conseguir baixar o desemprego.

Aumento do emprego ultrapassa queda do desemprego

A população desempregada em Portugal está agora nas 351,8 mil pessoas, segundo o INE. Em termos homólogos o número de desempregados diminuiu 23,7%. São menos 109,6 mil pessoas à procura de trabalho sem conseguir encontrar.

Quanto à população empregada, foi estimada pelo INE em 4,8741 milhões de pessoas. Isto significa um aumento de 2,4% em termos homólogos. São mais 113,7 mil pessoas empregadas no país do que há um ano.

Desta forma, o aumento do emprego superou a redução do desemprego, sinalizando que se está a ir buscar algumas pessoas à inatividade (nomeadamente aos 'desencorajados' que tinham deixado de procurar trabalho), ou aos fluxos migratórios (entrada de imigrantes no país ou regresso de emigrantes portugueses que tinham saído durante a crise).

Menos jovens e desempregados de longa duração

Em queda está também a taxa de desemprego dos jovens (dos 15 anos aos 24 anos), que desceu para 19,4% no segundo trimestre, "correspondendo também ao valor mais baixo da série iniciada no primeiro trimestre de 2011", indica o INE. São agora 69,2 mil os jovens desempregados nesta faixa etária, menos 14,4% do que um ano antes.

Quanto ao desemprego de longa duração (há mais de um ano), a taxa baixou para 3,5%, menos 1,7 pontos percentuais do que no segundo trimestre de 2017. O número de desempregados de longa duração está agora nas 183,8 mil pessoas, menos 32,7% do que um ano antes.