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Cinco boas notícias e uma sombra nos números do desemprego

Tiago Miranda

A dinâmica do mercado de trabalho português está a superar as previsões mais otimistas. O desemprego recua, o emprego aumenta e são agora menos os desempregados de longa duração. Mas há problemas crónicos que persistem

Os números do desemprego divulgados esta quarta-feira dão sinais muito positivos sobre a evolução do mercado de trabalho no segundo trimestre, de tal modo que o ministro Vieira da Silva já veio assinalar que "esta é provelmente das melhores notícias que podemos ter" na frente económica. Há contudo um dado a ensombrar os números ontem divulgados.

As boas notícias

1. A taxa de desemprego recuou de forma significativa. Portugal tem agora 351,8 mil pessoas sem trabalho, menos 109,6 mil do que há um ano atrás. No espaço de dois anos, são menos 207,5 mil desempregados. A taxa de desemprego passou de 8,8% da população ativa no segundo trimestre de 2017 para 6,7% em 2018.

2. A redução do desemprego está a acontecer devido à criação de postos de trabalho (e não à redução da população ativa). Entre o segundo trimestre de 2017 e o mesmo período de 2018, criaram-se mais 113,7 mil postos de trabalho em termos líquidos (foram 271,6 mil no espaço de dois anos). Isto significa que a economia está, em média, a criar cerca de 370 empregos por dia. Mais ainda, a população ativa está a crescer e a subutilização do trabalho (pessoas que trabalham menos horas do que o que gostariam e os desencorajados) está em queda.

3. A taxa de desemprego de longa duração (há mais de um ano), um dos problemas crónicos do mercado de trabalho luso, baixou para 3,5%, menos 1,7 pontos percentuais que no segundo trimestre de 2017. O número de desempregados de longa duração está agora nas 183,8 mil pessoas, menos 32,7% que um ano antes.

4. A taxa de desemprego dos jovens (dos 15 anos aos 24 anos) desceu para 19,4% no segundo trimestre, “correspondendo também ao valor mais baixo da série iniciada no primeiro trimestre de 2011”, indica o INE. São agora 69,2 mil os jovens desempregados nesta faixa etária, menos 14,4% que um ano antes.

5. O rendimento médio mensal líquido aumentou 4,2% em termos homólogos, atingindo os 887 euros para quem trabalha por conta de outrem. Um incremento que compara com subidas de 3,5% no primeiro trimestre deste ano e de 2,2% no quarto trimestre de 2017. Aqui há que contar com um empurrão dado pela descida do IRS (seja pela extinção da sobretaxa, seja pela revisão das tabelas de retenção na fonte).

A sombra que persiste

1. Entre os trabalhadores por conta de outrem, 22,1% tinha um contrato a prazo. Esta percentagem tinha vindo a reduzir-se nos dois trimestres anteriores e voltou agora a subir entre abril e junho, para valores ao nível dos registados no "ano negro" de 2013.