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Bolsas chinesas sobem quase 3% e contagiam positivamente Europa

Depois de um início de semana no vermelho, os índices de Xangai e Shenzhen ganharam esta terça-feira 2,74% e 2,98% respetivamente. A zona euro abriu no verde, invertendo a trajetória negativa do dia anterior. Lisboa hesita em seguir a tendência europeia. Riscos globais permanecem

Jorge Nascimento Rodrigues

As principais bolsas da Ásia Pacífico fecharam esta terça-feira no verde, lideradas pelas praças chinesas. Os índices de Xangai e Shenzhen subiram 2,74% e 2,98% respetivamente, depois de terem perdido 1,3% e 2,1% no dia anterior. Na frente cambial, a moeda chinesa, depois de ter caído face ao euro para um mínimo de quase quatro anos no final de julho, tem estado a valorizar-se, segundo os analistas graças à intervenção do Banco Popular da China nos contratos de forward . O euro chegou a valer mais de 8 yuans no final de julho para descer para 7,9 na segunda-feira e abrir em 7,91 esta terça-feira. O índice MSCI para a região subiu 0,9%.

As bolsas da Zona Euro abriram no verde esta terça-feira, depois de terem fechado no vermelho na segunda-feira. Frankfurt e Milão lideram hoje as subidas. O índice PSI 20, em Lisboa, hesita em seguir a tendência europeia, estando a flutuar em torno da linha de água.

A ameaça de uma escalada na guerra comercial entre as duas principais economias do mundo no final de agosto e em setembro marcou a semana passada e pressionou negativamente na segunda-feira as bolsas da Zona euro (queda de 0,34%), Ásia Pacífico (perda de 0,15%) e dos mercados emergentes (recuo de 0,22%).

A subida na segunda-feira dos índices em Nova Iorque (0,36%), animados pela divulgação de bons resultados das cotadas, puxaram o índice MSCI mundial para terreno positivo, fechando ligeiramente acima da linha de água, em 0,06%. Os futuros em Nova Iorque apontam para uma nova sessão de ganhos esta terça-feira nos EUA.

Cinco ameaças que permanecem

Apesar da reanimação das bolsas asiáticas e europeias esta terça-feira, os riscos globais permanecem. Os analistas apontam cinco ameaças a monitorizar.

A guerra comercial entre as duas grandes economias não mostra sinais de recuo na escalada. O final de agosto e o mês de setembro poderão ver o agravamento das medidas protecionistas dos EUA e das ações de retaliação da China. Washington vangloria-se que já está a afetar a economia chinesa e Pequim responde que está preparada para uma guerra comercial de longo prazo.

Uma nova frente de turbulência no comércio internacional poderá advir da reimposição por Washington das sanções ao Irão, sobretudo no campo das exportações de petróleo iraniano, a partir de 4 de novembro. É esperado um impacto altista no preço do barril de ouro negro. O preço do Brent fechou em 74,25 dólares no final de julho e abriu esta terça-feira ligeiramente abaixo desse valor. A tendência é de subida. As sanções dos EUA poderão ter repercussões importantes para as empresas europeias que desenvolvem negócios com Teerão, arriscando sanções extraterritoriais norte-americanas que são, contudo, consideradas ilegais por Bruxelas. Numa declaração conjunta, na segunda-feira, a Alta Representante da União Europeia, Federica Mogherini, e os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Reino Unido tomaram uma posição conjunta contra a decisão do presidente Trump e garantiram proteção às empresas europeias "com atividades legítimas no Irão". A partir desta terça-feira, os EUA impuseram restrições à compra de dólares por parte do Irão e ainda no mercado de metais preciosos e em sectores tão diversos como aviões, automóveis, carpetes e pistáchios.

Na União Europeia há dois problemas graves. A probabilidade de um não acordo para a saída do Reino Unido é já superior à probabilidade de um entendimento na cimeira europeia de outubro. Um conflito entre a Itália e Bruxelas poderá recrudescer em setembro em torno das metas do governo de coligação em Roma para o orçamento de 2019. A evolução dos juros (yields) dos títulos do Tesouro italiano a 10 anos é um dos indicadores a monitorizar. Depois de máximos do ano acima de 3,1% no final de maio e no início de junho, os juros voltaram a subir para 3,1% durante a última sessão de julho. Esta terça-feira desceram para menos de 2,9%.

Finalmente, nos mercados emergentes, a situação da Turquia está em foco pela negativa. Excluindo a Venezuela, que está numa situação de colapso económico e de hiperinflação (estimando-se uma inflação anual de um milhão por cento no final do ano), a Turquia, membro da NATO e na fronteira com a zona euro, é a economia emergente mais vulnerável. A moeda, a lira, face ao euro caiu mais de 10% nos últimos trinta dias e entre o final de julho e o fecho de segunda-feira perdeu 4%. Em relação ao dólar, a desvalorização foi de 7% desde o final de julho e de 39% desde o final do ano passado. O principal índice da bolsa de Istambul, o BIST 100, já perdeu 17,5% desde o início do ano.

  • EUA repõem sanções ao Irão

    A Administração Trump reintroduziu, esta terça-feira, sanções ao Irão levantadas pelo Governo de Obama após a assinatura do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano. Enquanto Teerão denuncia uma “guerra psicológica”, Bruxelas protege as empresas europeias de possíveis retaliações dos Estados Unidos

  • A ameaça de uma escalada na guerra comercial entre os EUA e a China domina os mercados financeiros. A bolsa de Xangai caiu esta segunda-feira 1,3% e acumula uma queda de quase 6% nas últimas sete sessões. As principais praças europeias abriram a cair, lideradas por Frankfurt. PSI 20, em Lisboa, está na linha de água. Bolsas mundiais perderam 0,2% na semana passada