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Bolsas chinesas continuam em queda. Europa abre no vermelho

A ameaça de uma escalada na guerra comercial entre os EUA e a China domina os mercados financeiros. A bolsa de Xangai caiu esta segunda-feira 1,3% e acumula uma queda de quase 6% nas últimas sete sessões. As principais praças europeias abriram a cair, lideradas por Frankfurt. PSI 20, em Lisboa, está na linha de água. Bolsas mundiais perderam 0,2% na semana passada

Jorge Nascimento Rodrigues

Quatro das principais bolsas asiáticas fecharam esta segunda-feira no vermelho, com destaque para as duas bolsas da China. Shenzhen, a bolsa das tecnológicas chinesas, encerrou com uma queda de 2,1% e Xangai, a principal bolsa do país e a segunda mais importante da Ásia, perdeu 5,7%. Os índices Nikkei 225 de Tóquio e KOSPI de Seul ficaram ligeiramente abaixo da linha de água. Em terreno positivo, fecharam Hong Kong, Mumbai e Sydney.

A moeda chinesa desvalorizou 3,9% face ao euro entre o final de junho e o final de julho, quando a moeda única atingiu um pico de mais de 8 yuans. Na abertura desta segunda-feira, o câmbio estava em 7,9 yuans face a 7,7 yuans no final de junho. A desvalorização abrandou ligeiramente, depois do Banco Popular da China ter recolocado na sexta-feira a exigência de reservas de 20% em determinadas operações de forward.

As principais praças da União Europeia (UE) abriram esta segunda-feira no vermelho. O DAX de Frankfurt liderava as quedas pelas 9h (hora portuguesa) com um recuo de 0,4%. Em Lisboa, o PSI 20 flutuava em torno da linha de água. Bruxelas, Madrid, Milão, Amesterdão e Paris estavam em terreno negativo. Além da escalada da guerra comercial entre os EUA e a China, a UE está a ser marcada pelo andamento das negociações para o Brexit. Liam Foz, secretário para o comércio internacional do governo britânico, declarou, em entrevista ao Sunday Times, que a probabilidade de uma não acordo na cimeira de outubro é, agora, de 60%.

Risco de escalada na guerra comercial

O sentimento negativo na Ásia está a ser marcado pela perspetiva de escalada na guerra comercial entre os EUA e a China. Até agora, Washington aplicou um primeiro pacote de taxas aduaneiras sobre 34 mil milhões de dólares (€29 mil milhões) de importações chinesas e prepara, para breve, a aplicação de um segundo pacote sobre mais 16 mil milhões de dólares (€14 mil milhões). Anunciou, entretanto, que prepara um terceiro pacote de taxas de 25% sobre mais 200 mil milhões de dólares (€173 mil milhões), o que implicará um total de taxas sobre 250 mil milhões de dólares (€216 mil milhões). O presidente Trump já ameaçou dobrar o valor das importações chinesas abrangidas pelas taxas, agitando o número de 500 mil milhões de dólares (€432 mil milhões).

Pequim, por seu lado, retaliou ou vai retaliar com taxas sobre valores similares aos dois primeiros pacotes e anunciou que aplicará taxas entre 5% e 25% sobre mais 60 mil milhões de dólares (€52 mil milhões) de importações dos EUA,incluindo importações de gás natural liquefeito.

O presidente norte-americano afirmou, entretanto, que "as taxas estão a funcionar melhor do que se esperava", referindo o impacto negativo nas bolsas chinesas.

Bolsas mundiais no vermelho na semana passada

Na semana passada, as bolsas mundiais perderam 0,23%, segundo o índice global MSCI, com destaque para a 'região' da Ásia Pacífico com uma perda de 2,1% e a zona euro com uma quebra de 1,6%. O PSI 20, em Lisboa, seguiu a tendência negativa da zona euro, com uma perda de 0,4%.

No conjunto, os mercados emergentes perderam 1,7%. Em contraste, os EUA e a América Latina registaram ganhos semanais de 0,7%. O índice Nasdaq (das tecnológicas), de Nova Iorque, esteve em destaque com um avanço de 1%.

O índice da Reuters para as matérias-primas caiu 0,5% na semana passada. O preço do barril de Brent recuou 1,25%.