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Descodificador. Conta da luz: a coisa está preta

Preço da eletricidade no mercado grossista ibérico está em alta este ano

Foto Jeff J Mitchell/Getty Images

O preço ibérico da eletricidade está em alta e ameaça agravar a fatura das famílias em 10%. Por causa do carvão... mas não só

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O que se passa no mercado ibérico?

Desde o início do ano o preço dos contratos da eletricidade no mercado grossista (Mibel) subiu 17% nos futuros para 2019 e 26% nos contratos para o quarto trimestre de 2018. Os preços a que a eletricidade dos produtores ibéricos está a ser negociada situam-se nos €67 por megawatt hora (MWh) para o quarto trimestre, baixando para €56 por MWh para 2019. A par com o encarecimento do preço médio a que os produtores vendem a energia há um fenómeno novo: os preços estão a variar muito entre a noite e o dia, reagindo menos às flutuações da procura (mais baixa durante a madrugada e mais alta durante o dia), sendo ditados quase exclusivamente pela oferta.

Por que sobem os preços 
no Mibel?

Por um lado, a produção eólica este ano está abaixo da média histórica, o que obriga a um maior recurso a centrais termoelétricas alimentadas a carvão e gás natural. Por outro lado, duas centrais nucleares espanholas pararam no primeiro semestre, criando um constrangimento do lado da oferta. Além disso, o preço do carvão e do gás aumentou e o custo de aquisição de licenças de CO2 disparou, encarecendo a operação das centrais termoelétricas. As hidroelétricas recuperaram os níveis dos reservatórios, o que poderia favorecer uma oferta de energia renovável mais barata, mas isso não foi suficiente para travar a escalada do preço grossista.

Qual o impacto para as famílias?

Há milhares de clientes domésticos de eletricidade que já foram em julho alvo de subidas das tarifas (aconteceu, por exemplo, com os clientes das empresas Energia Simples e Luzboa), para refletir o agravamento dos preços no Mibel. Para as famílias tudo depende da decisão dos comercializadores de repercutirem ou não o aumento dos preços grossistas. Tendo em conta que a energia pesa cerca de 40% na fatura doméstica de eletricidade, a “conta da luz” em 2019 poderá encarecer entre 7% e 10% (consoante o referencial dos contratos futuros usado pelos comercializadores). A EDP, que tem uma quota de 77,5%, fez uma subida em janeiro e só deve rever as suas tarifas em janeiro de 2019.

Há forma 
de evitar 
os aumentos?

O consumidor pode, nos simuladores existentes na internet, procurar as ofertas mais competitivas, tendo presente que entre os preços praticados há alguns que já foram revistos em alta este ano e outros não. Caso o seu comercializador anuncie um aumento das tarifas, pode recorrer aos simuladores para verificar se há no mercado tarifas mais baixas. A eventual descida do IVA da eletricidade, a discutir em sede de Orçamento do Estado para 2019, pode anular o impacto da subida dos preços no Mibel. Uma alternativa mais complexa está nas mãos dos governos e reguladores: redesenhar o mercado ibérico de eletricidade.