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Trabalhamos meio ano para pagar impostos

José Caria

Só a 12 de junho é que nos libertámos do espartilho fiscal. Em 21,6 mil euros de salário bruto anual, carga fiscal deixa cerca de 12 mil euros nos bolsos dos trabalhadores

Em Portugal, trabalham-se 163 dias apenas para pagar impostos. Ou seja, até ao dia 12 de junho, todo o salário que recebemos acaba por ir parar às mãos do Estado, seja através do IRS, das contribuições para a Segurança Social ou do IVA, que pagamos sempre que fazemos alguma compra.

De acordo com um estudo do Instituto Económico Molinari - “A carga fiscal dos trabalhadores médios na União Europeia a 28 – 2018”, feito a partir de dados da consultora EY -, o salário médio bruto em Portugal situa-se nos 21.682 euros, por ano, mas depois dos descontos o trabalhador leva para casa apenas cerca de 13 mil euros, que se reduzem aos 12.041 euros quando se deduzem também os encargos com o IVA (em média, este imposto sobre o consumo leva-nos 973 euros da carteira). A carga fiscal é, portanto, de 44,47%, muito próxima da média europeia.

O estudo revela ainda que, pelo quarto ano consecutivo, se regista um decréscimo na carga fiscal nos países da UE 28, que se situa os 44,5% em 2018, face aos 44,8% do ano passado.

“Mesmo assim, as taxas de impostos pagas pelos trabalhadores permanecem acima dos valores de 2010 (44% de carga fiscal média), sobretudo devido à subida do IVA em 20 estados-membros, durante este período”, referem os autores do relatório.

França lidera com a tributação dos trabalhadores mais elevada. Aqui 56,7% dos salários vão para o Estado e o dia da libertação dos impostos só acontece a 27 de julho, nove dias mais tarde do que na Áustria, o segundo país europeu a taxar mais o rendimento do trabalho (mas onde se aguardam, para 2019, importantes descidas nos impostos).

No país de Emmanuel Macron o salário bruto médio ascende a 56.815 euros, por ano, dos quais 24.582 ficam para o trabalhador (depois de todos os impostos, incluindo o IVA).

É no Chipre que ocorre mais cedo o dia de libertação dos impostos, a 27 de março (23,3% de carga fiscal sobre o rendimento). Os trabalhadores cipriotas recebem, em média, um salário anual bruto 25.134 euros e, depois de todos os custos tributários, conseguem manter no bolso 19.259 euros.

No ranking da libertação dos impostos, Portugal ocupa a 12ª posição. Em Espanha, este dia ocorre cinco dias mais cedo.

Sobre os custos por trabalhador para a entidade empregadora, em França o patrão tem que desembolsar 2,16 euros para o colaborador levar para casa 1 euro “limpo”. No Chipre, esse custo é de 1,22 euros e, em Portugal, as empresas suportam 1,67 euros por cada 1 euro de rendimento líquido pago ao trabalhador.