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Alojamento Local gerou oito milhões de dormidas e deu um salto de 29%

Rui Duarte Silva

O balanço turístico de 2017 apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística dá conta de um ano com crescimentos recorde difíceis de suplantar em 2018: os hóspedes nos hotéis nacionais subiram 13% e o volume de dormidas mais de 11%. Ao todo Portugal recebeu cerca de 66 milhões de dormidas, incluíndo hotéis, alojamento local ou turismo em espaço rural

O Alojamento Local (AL) deu um salto expressivo em Portugal em 2017, tendo recebido 3,4 milhões de hóspedes e gerando 8 milhões de dormidas, representando aumentos de 28,8% e de 26,7%, respetivamente. É apenas um dos sinais do que representou um ano recorde para o turismo no país, segundo o balanço consolidado de 2017 publicado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Somando AL com hotéis ou turismo em espaço rural, os estabelecimentos turísticos nacionais receberam ao todo no ano passado 24,1 milhões de hóspedes, mais 12,9% que no ano interior. O volume de dormidas subiu 11,1% para 65,8 milhões. Os proveitos ainda tiveram uma subida mais acelerada, de 18,6% (e em cima do crescimento de 18,1% verificado em 2016).

Só os hotéis receberam no ano passado em Portugal 19,8 milhões de hóspedes, o equivalente a um aumento de 10,1%, e a um total de 55,7 milhões de dormidas, neste cado com um aumento de 8,4%. O INE destaca que "as dormidas dos residentes desaceleraram ligeiramente", com um crescimento de 5,4% (tinha sido de 6,3% em 2016) para um total de 15 milhões. Mas as dormidas dos estrangeiros subiram 9,6% para 40,7 milhões, assumindo uma quota total de 73,1%. O rendimento médio por quarto disponível (indicador RevPar) subiu 15,8% para 51,7 euros, ao mesmo tempo que os proveitos totais e de aposento aumentaram 17,7% e 19,6%, respetivamente.

Oferta nacional aumentou 5,8% para 5840 estabelecimentos

Segundo o INE, em julho de 2017 havia 5.840 estabelecimentos turísticos em funcionamento no país, com uma capacidade total de 402,8 mil camas, correspondendo a um aumento da oferta cifrado em 5,8%. Este valor inclui tanto hotéis como alojamentos locais, além de turismo de habitação ou em espaço rural.

A hotelaria (hotéis, hotéis-apartamentos ou pousadas) representou 77% da capacidade de alojamento em total de camas, 82,1% dos hóspedes e 84,6% das dormidas. De acorco com o INE, em 2017 a hotelaria totalizou 1758 estabelecimentos e 313 mil camas (o que representou aumentos anuais de 5,3% e de 3,5%, respetivamente).

Para as regiões, "a evolução das dormidas foi globalmente positiva", destacando o INE os crescimentos de 20,6% registados nos Açores ou de 19,9% no Centro do país. O Algarve manteve-se o principal destino nacional, com uma quota de 30,7% nas dormidas, seguido de Lisboa, que representou 25,4%.

Turistas ingleses ainda a subir 2,8%

O maior mercado emissor de turistas para Portugal manteve-se o Reino Unido, e em 2017 ainda a evidenciar um crescimento de 2,8% em dormidas - não refletindo tanto os efeitos do Brexit, da desvalorização da libra e da concorrência de outros destinos que estão a levar a uma desaceleração já com efeitos visíveis em 2018. Os turistas ingleses no ano passado representaram uma quota de 20,9% no volume total de dormidas.

Também os turistas alemães se destacaram no ano passado com um crescimento de 11,3% de dormidas (e assumindo uma quota de 13,8% no total), enquanto os turistas franceses e espanhóis, ambos com uma quota de 9,9%, registaram crescimentos de 5,2% e de 7%, respetivamente.

O saldo das Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos teve, segundo o INE, "um crescimento expressivo" em 2017, cifrado em 23%, e "claramente acima do aumento de 12,7% em 2016". Para o aumento do saldo desta rubrica no ano passado "contribuiu a aceleração do crescimento das receitas/créditos para 19,5%, as quais totalizaram €15,2 mil milhões, a par de uma subida menos expressiva das despesas/débitos: 11,5% em 2017, tendo totalizado €4,3 mil milhões".

O instituto de estatística também enfatiza que 2017 foi um ano de forte crescimento do turismo em todo o mundo. E cita dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) dando conta que as chegadas de turistas internacionais evidenciaram no ano passado um acréscimo de 84 milhões (aumento de 6,8%) e situando-se em 1323 milhões.