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Sabe como vai Portugal no mundo dos sapatos? E quem fatura mais por cá?

Foto Lucília Monteiro

O World Footwear Yearbook 2018 fez contas ao negócio dos sapatos. E continua a haver boas notícias para dar em Portugal. O país está no top 20 dos maiores produtores, é 11º no ranking das exportações, é sexto maior do mundo no calçado em pele e, no preço por par, triplica a média global

"Em 2017 Portugal continua a registar um bom desempenho (no calçado)". É assim que a APICCAPS, a associação de industriais do sector, apresenta o World Footwear Yearbook 2018, onde inclui estatísticas atualizadas da fileira à escala global. Um exemplo? Entre os principais produtores, o país está em 19º lugar, mas tem o segundo maior preço médio na exportação, com 26,54 dólares (22,69 euros ao câmbio atual) por par, um valor que quase triplica a média mundial, agora nos 9,18 dólares.

Ainda longe de Itália (48,19 dólares), "os sapatos portugueses viram o preço médio por par subir 40 cêntimos de dólar num ano, tal como os italianos, o que percentualmente significa um crescimento maior porque a base é mais baixa", sublinha Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS. E foi uma subida superior à média mundial, que ficou nos 34 cêntimos.

Na produção, depois de dois anos de estabilização, a indústria mundial do calçado cresceu 2% em 2017, para os 23,5 mil milhões de pares, com a Ásia a garantir uma quota de 87% e a China a responder por 2 em cada 3 pares de sapatos exportados no mundo.

No globo, as exportações aumentaram 0,7% em quantidade e 3,7% em valor. E Portugal ocupa o 11º lugar no ranking dos maiores exportadores, correspondente a uma quota de 1,7% . Mas no calçado de couro, o mais valorizado pelo mercado, está no top 6, com 1, 93 mil milhões de dólares (1,65 mil milhões de euros).

O consumo continua a ter a Ásia em destaque. Este continente responde por 54% do consumo mundial, enquanto a Europa fica nos 16% e a América do Norte nos 15%. Neste campo, tal como na produção, a tendência tem sido favorável à Ásia que desde 2011, quando a APICCAPS publicou este anuário de tendências pela primeira vez, já ganhou 4 pontos percentuais, enquanto a Europa perdeu 4 pontos e a América 2. Aliás, a Índia ultrapassou os EUA como segundo maior consumidor, posicionando-se logo atrás da China.

Portugal sobe na América, desce em França

Quanto aos portugueses, compraram 58 milhões de pares em 2017, o que os coloca em 54º lugar no ranking do consumo.

Numa análise centrada em Portugal, o país apresenta exportações de 2,213 mil milhões de dólares (1,89 mil milhões de euros) no ano passado, correspondentes a 83 milhões de pares. No ranking global, é, assim, 11º nas vendas ao exterior em valor e 18º em quantidade, o que indica a valorização do made in Portugal.

Nas importações, soma 703 milhões de dólares (601 milhões de euros), o 29º registo a nível mundial, com o preço médio por par nos 12,04 dólares (10,29 euros).

Quanto aos mercados, França é o maior cliente dos sapatos lusos, com uma quota de 21%, seguida de Alemanha (19%), Holanda (14%) e Espanha (9%). Mas o principal destaque, olhando para os últimos cinco anos, são as subidas de 203% dos EUA e de 101% no Canadá. Já a França, cai 16%.

E quem são os maiores operadores do sector em Portugal? O World Footwear mostra que a liderança é dos dinanamarqueses da Ecoo´let, com um volume de negócios de 127,1 milhões de dólares, e dos alemães da Gabor (116,8 milhões), seguidos da Sopropé (Seaside), com um registo de 82,8 milhões de dólares. Depois, aparecem a Jefar (50,4 milhões de dólares e Fortunato Frederico, dono do grupo Kyaia (46,2 milhões).

Esta caracterização detalhada da indústria do calçado no mundo, com a análise do perfil de 82 produtores e mercados, começou a ser feita pela APICCAPS em 2011 e tem na sua carteira de clientes nomes do sector e não só, da Birckenstock à Bloomberg, Geox, KPMG, Swarowsky, Speedo, Siemens ou Skechers.