Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco de Inglaterra sobe os juros, apesar da incerteza sobre o Brexit

Com a inflação em 2,4% e o desemprego em mínimos desde 1975, a equipa liderada pelo canadiano Mark Carney decidiu esta quinta-feira subir a taxa diretora para 0,75%, uma segunda subida desde os mínimos históricos

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco de Inglaterra (BoE) decidiu na reunião do comité de política monetária desta quinta-feira subir a taxa diretora em 25 pontos-base para 0,75%. É a segunda subida desde os mínimos históricos em 0,25% estabelecidos em agosto de 2016. Em novembro do ano passado, o BoE decidiu fazer um aumento para 0,5%.

A decisão desta quinta-feira está em linha com o esperado pelos analistas. No entanto, os analistas entrevistados pela Reuters esperavam que a decisão não fosse unânime, e que no comité formado por nove membros e liderado pelo governador Mark Carney, houvesse duas dissensões. Mas, não, a decisão foi tomada por unanimidade.

Com a inflação desde abril em 2,4% e o desemprego em 4,2%, em mínimos desde 1975, a equipa do canadiano Carney não tinha grande margem de manobra senão subir as taxas como o mercado antevia.

No entanto, o crescimento da economia britânica está a desacelerar, tendo a taxa descido para 1,2% no primeiro trimestre. A trajetória descendente regista-se desde 2015. E paira a incerteza sobre o desfecho das negociações com Bruxelas sobre o acordo para o Brexit. O BoE reconhece que “a perspetiva económica pode vir a ser influenciada significativamente pela resposta que as famílias, as empresas e os mercados financeiros derem aos desenvolvimentos relacionados com o processo de saída da União Europeia”.

Contudo, este sinal de subida, não quer dizer que o BoE vá abandonar uma estratégia gradual nas mexidas na taxa diretora. A sondagem da Reuters aponta para uma nova subida só no final de 2019 ou no início do ano seguinte, com a taxa diretora a atingir 1,1% em 2020. Segundo o estudo realizado pelo próprio BoE, a taxa diretora a longo prazo deverá situar-se num intervalo entre 2% e 3%, muito abaixo da taxa considerada de "equilíbrio" no passado. Antes da crise financeira de finais de 2008, as taxas diretoras variaram entre 3,5% e 6% desde 2000. Entre julho de 1988 e abril de 1992 estiveram na ordem dos dois dígitos.

Índia, Angola e Canadá subiram taxas recentemente

Não foi a única subida das taxas diretotas decidida por bancos centrais nos últimos trinta dias.

Na quarta-feira, 1 de agosto, o Banco da Reserva da Índia, o banco central, aumentou a taxa diretora em 25 pontos-base (um quarto de ponto percentual) para 6,5%. A 17 de julho havia sido o Banco Nacional de Angola, que subiu a taxa em 150 pontos-base (1,5 pontos percentuais) para 16,5%. A 11 de julho foi a vez do Banco do Canadá que aumentou em 25 pontos-base para 1,5%.

Recorde-se que, na quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana não mexeu nas taxas, adiando para setembro uma provável subida, e o Banco do Japão (BoJ), no dia anterior, também não subiu a taxa diretora que está em terreno negativo, em -0,1%, desde janeiro de 2016. O BoJ decidiu inclusive reforçar a orientação “acomodativa” de estímulos monetários, alterando a sua comunicação no sentido de garantir que vai “manter os atuais níveis extremamente baixos das taxas de curto e longo prazo por um período alargado”.

  • A equipa dirigida por Jerome Powell decidiu não mexer nas taxas de juro na reunião de política monetária que terminou esta quarta-feira em Washington, mas sinalizou que a economia dos EUA está a registar um crescimento forte. Probabilidade de uma subida das taxas em setembro está em 90% no mercado de futuros