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Reserva Federal adia para setembro subida dos juros

A equipa dirigida por Jerome Powell decidiu não mexer nas taxas de juro na reunião de política monetária que terminou esta quarta-feira em Washington, mas sinalizou que a economia dos EUA está a registar um crescimento forte. Probabilidade de uma subida das taxas em setembro está em 90% no mercado de futuros

Jorge Nascimento Rodrigues

Os banqueiros centrais dos Estados Unidos não mexeram nas taxas de juro na reunião de política monetária que terminou esta quarta-feira na sede da Reserva Federal (Fed) em Washington, mas sinalizaram que consideram que a economia está com um crescimento forte. A palavra "forte" substituiu, agora, o termo "sólido" usado no comunicado publicado após a reunião anterior, em junho.

A equipa liderada por Jerome Powell, o presidente da Fed, reviu em alta a sua avaliação da evolução da economia norte-americana, considerando, também, que os gastos das famílias e o investimento estão com um crescimento "forte". Também aqui "forte" substitui a expressão usada em junho que referia que essas componentes tinham "pegado".

A mudança de linguagem está a ser interpretada como sinalizando que a equipa dirigente da Fed deverá proceder a mais duas subidas das taxas diretoras ainda este ano, face a uma economia que, para muitos economistas, está claramente sobreaquecida. O crescimento em relação ao trimestre anterior acelerou no segundo trimestre registando uma taxa de 4,1%, depois de 2,2% no trimestre anterior. Esta quarta-feira, o Banco da Reserva Federal de Atlanta anunciou que o seu modelo de projeções - o GDPnow - aponta para um crescimento de 5,1% no terceiro trimestre do ano em relação aos três meses anteriores. Em termos anualizados, o crescimento subiu para 2,8% no segundo trimestre.

A inflação subiu para 2,9% em junho,o nível mais elevado desde fevereiro de 2012. Com este nível de inflação, a taxa real diretora da Fed (descontando a inflação à taxa nominal) ainda está em terreno negativo (num intervalo entre -1,15% e -0,9%), pelo que a política é ainda "acomodativa".

No mercado de futuros, a probabilidade de uma subida da taxa diretora na próxima reunião de 25 e 26 de setembro está em 90%. Para a reunião de 18 e 19 de dezembro, a probabilidade de uma nova subida está em 66%.

A reunião desta quarta-feira não foi complementada com uma conferência de imprensa do presidente da Fed, o que só voltará a realizar-se após a reunião de setembro, onde, também, serão divulgadas novas projeções económicas.

As atas da reunião desta quarta-feira só serão divulgadas dentro de três semanas. Apesar da unanimidade registada na reunião de hoje, as atas permitirão analisar a discussão realizada e saber se tópicos quentes recentes, como a guerra comercial em que os EUA estão envolvidos e os comentários do presidente Trump sobre o nível de taxas da Fed acima do que gostaria, terão sido debatidos.

Mais duas subidas até final de ano, segundo os mercados de futuros

A taxa diretora da Fed subiu para o intervalo entre 1,75% e 2% na reunião de junho. Se a equipa de Powell optar por mais duas subidas de 25 pontos-base (um quarto de ponto percentual) nas reuniões de setembro e dezembro, a taxa diretora fechará o ano em 2,25%-2,5%.

No mercado secundário da dívida, os juros (yieds) dos títulos do Tesouro norte-americano já registaram esta quarta-feira um máximo do dia acima de 3%, e estão, agora, depois de conhecidos os resultados da reunião da Fed, em 2,99%. A subida para o nível de 2,9% está a verificar-se desde 22 de julho e tem contagiado na zona euro os juros das obrigações alemãs, que esta quarta-feira já subiram até 0,49%.

Em Nova Iorque, os índices do Dow Jones 30 e do S&P 500 continuam em terreno negativo, com perdas de 0,4% e 0,2% respetivamente. O índice Nasdaq (das tecnológicas) prossegue a recuperação iniciada na terça-feira, depois de recuos entre 26 e 30 de julho. O dia está a ser marcado pela valorização da Apple.