Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

América Latina lidera recuperação das bolsas em julho

reuters

O índice bolsista mundial subiu 2,9% em julho depois de dois meses consecutivos a cair. PSI 20, em Lisboa, avançou 2,4%. Preços das commodities caíram quase 3%. O euro valorizou-se face ao dólar. A moeda turca continuou a cair e o yuan chinês desvalorizou quase 4%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas voltaram a animar-se em julho. O índice mundial MSCI ganhou 2,9%, depois de ter estado a cair nos dois meses anteriores. A ‘região’ do mundo que registou a maior subida mensal foi a América Latina, com o índice MSCI respetivo a avançar 9,1%. Os índices das bolsas de Buenos Aires e de São Paulo foram os que registaram maiores subidas à escala mundial em julho – o Merval disparou 12,5% e o Ibovespa avançou quase 9%.

A ‘região’ com pior desempenho em julho foi a Ásia Pacífico com o índice MSCI respetivo a subir apenas 0,6%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou o mês com uma queda acumulada de 1,3%. A segunda bolsa chinesa, de Shenzhen, ficou ligeiramente abaixo da linha de água em julho. No entanto, algumas praças emergentes registaram subidas significativas, acima de 6,5%, como Mumbai, Manila e Banguecoque.

As bolsas de Nova Iorque e da zona euro foram contagiadas pelo otimismo. O índice para as bolsas do espaço da moeda única aumentou 3,6% e o relativo aos Estados Unidos avançou 3,5%. Em Lisboa, o índice PSI 20 subiu 2,4%, abaixo do índice europeu e mesmo dos ganhos mundiais.

O otimismo regressou às bolsas na ponta final do mês com os investidores a considerarem que a escalada na guerra comercial entre os principais blocos económicos registou um recuo, depois do acordo parcial assinado entre a União Europeia e os EUA na Casa Branca e as informações de que representantes do Tesouro norte-americano e do vice-primeiro-ministro chinês Liu He têm mantido conversações privadas no sentido das duas maiores economias do mundo voltarem à mesa de negociações.

No entanto, o otimismo pode ser sol de pouca dura, pelo menos no que respeita à China. A Bloomberg já deu conta que a Administração Trump está a preparar uma subida das taxas alfandegárias de 10% para 25% em relação a um próximo pacote de medidas protecionistas a aplicar a importações da China no valor de 200 mil milhões de dólares (€171 mil milhões).

Nova Iorque marcada pelo afundamento do Facebook

Mas nem tudo foram rosas em Nova Iorque. O índice FANG+ - que abrange as estrelas atuais mais proeminentes das novas tecnologias, o Facebook, Apple, Amazon, Netflix, Google, Alibaba, Baidu, Nvidia, Tesla e Twitter – caiu em julho 4,3% depois de ter ganho 5% no mês anterior.

Em destaque pela negativa, a queda de 11% do Facebook em julho. No dia 26 de julho, o Facebook perdeu em bolsa 119 mil milhões de dólares (€101 mil milhões, mais de metade do PIB português), um recorde diário em Nova Iorque, depois da perda de 91 mil milhões (€78 mil milhões) pela Intel numa sessão em setembro de 2000.

Preço das matérias-primas em queda, mas houve exceções

O índice CRB da Reuters para as commodities caiu 2,9% em julho. As maiores descidas mensais de preços nas matérias-primas registaram-se no porco, madeira e cacau, com quebras de dois dígitos, mas as cotações de alguns metais industriais e do barril de crude norte-americano caíram mais de 6,5%.

O preço do barril de petróleo de Brent desceu 4% e os preços dos metais preciosos, como o metal e a prata, recuaram 1,2%. A exceção nos metais preciosos foi o paládio, cujo preço subiu 2,7%.

O mês correu bem para algumas matérias-primas agrícolas, como o trigo, cujo preço subiu mais de 15%, o milho, com um aumento de 10%, e ainda o algodão e a soja.

Euro valorizou face ao dólar

Apesar da acusação do presidente Donald Trump que a zona euro manipulava competitivamente o euro, foi o dólar que caiu 0,7% face ao euro em julho. O euro subiu de 1,1658 dólares no final de junho para 1,1736 no final de julho.

As maiores desvalorizações em julho face ao euro continuaram a verificar-se no bolivar venezuelano (perdeu 51% face ao euro em trinta dias), um caso extremo num país em colapso económico e minado por uma inflação que faz recordar a Alemanha de 1923, e na lira turca, que perdeu 7%.

A novidade do mês foi a desvalorização do yuan chinês, que perdeu 3,9% face ao euro. Face à escalada na guerra comercial com os EUA, Pequim regressou a uma política orçamental e monetária de estímulos. O Banco Popular da China, o banco central, teve de injetar milhares de milhões de yuans no sistema bancário em julho e o Politburo do Partido Comunista reafirmou no último dia do mês uma estratégia de estímulos à economia já avançada dias antes pelo Conselho de Estado (o governo).