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Startup portuguesa conquista €10 milhões para ensinar robôs a falar

Daniela Braga, CEO da DefinedCrowd

Três anos após a sua fundação, a DefinedCrowd acaba de fechar uma ronda de financiamento de Série A, liderada pelo fundo americano Evolution Equity Partners. O investimento conquistado servirá para expandir o negócio e aumentar a equipa, em PortugalTrês anos após a sua fundação, a DefinedCrowd acaba de fechar uma ronda de financiamento de Série A, liderada pelo fundo americano Evolution Equity Partners. O investimento conquistado servirá para expandir o negócio e aumentar a equipa, em Portugal

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

A DefinedCrowd, uma startup portuguesa especializada em modelos de comunicação e interação homem-máquina, sedeada em Seattle, acaba de levantar 11,8 milhões de dólares (cerca de 10,1 milhões de euros), numa ronda de financiamento de série A (orientada para o desenvolvimento e crescimento do negócio), liderada pelo fundo americano Evolution Equity Partners que apresenta a Kibo Ventures, a Mastercard e a EDP Ventures como novos investidores. A empresa que tem Daniela Braga na liderança, contava já com o investimento da Sony, Portugal Ventures, Amazon Alexa Fund e Busy Angels. O capital será usado para desenvolver a oferta da DefinedCrowd, expandir a quota de mercado da startup a nível global e reforçar a equipa, “maioritariamente em Portugal”, garante a CEO, em entrevista ao Expresso.

Combina o conhecimento humano com algoritmos de inteligência artificial para viabilizar o desenvolvimento linguístico de robôs. Ou como Daniela Braga, mentora e CEO da startup portuguesa, gosta de simplificar, “para por robôs a falar”. Criada em 2015, a DefinedCrowd não demorou muito até conseguir grandes clientes internacionais. A startup que tem escritórios em Portugal, nos Estados Unidos e, desde abril, em Tóquio, tem na sua lista de clientes companhias dos reputados rankings Fortune 500 e Fortune 50 (como a Mastercard, BMW, Nuance ou Yahoo Japan), nos mercados americano, asiático e europeu. E não é difícil perceber porquê.

A interação homem máquina, através da voz, é cada vez mais comum. Mas para que possamos conversar com assistentes pessoais como a Siri (apple) ou a Alexa (Amazon), são necessários milhões de dados estruturados, de alta qualidade, e modelos de machine learning. A DefinedCrowd desenvolveu uma plataforma que ‘purifica’ os dados de linguagem natural para serem usados por máquinas com inteligência artificial e desenvolveu uma versão na nuvem SaaS (software as a service) com funcionalidade inovadoras de inteligência artificial no fluxo de dados. Disponibiliza dados em 46 línguas, suportada por uma comunidade própria de mais de 45 mil membros qualificados espalhados por todo o mundo (Neevo by DefinedCrowd).

“A plataforma SaaS, da DefinedCrowd, posicionou rapidamente a companhia como líder inovadora que apresenta solução a um dos maiores problemas da inteligência artificial (IA) e da Aprendizagem Automática– a necessidade contínua de dados de treino precisos e em larga escala”, refere Dennis Smith, fundador e sócio administrador da Evolution Equity Partners. O fundo destaca as taxas anuais de crescimento da empresa na ordem dos três dígitos e o potencial de crescimento global.

No radar dos investidores

A startup portuguesa entrou desde muito cedo no radar dos investidores e antes desta ronda de investimento tinha já conquistado 1,2 milhões de dólares (mais de 1 milhão de euros) junto de business angels e de investidores institucionais e empresariais como a Portugal Ventures, a Sony e a Amazon. Para Daniela Braga, a ronda de investimento agora fechada “é um marco muito importante para qualquer startup e um sinal de validação do mercado”. A CEO destaca ainda a importância de alcançar um financiamento de série A em menos de três anos, “quando o habitual é consegui-lo em cinco”.

A CEO da DefinedCrowd reconhece que “a revolução da IA está a aumentar a necessidade de dados de alta qualidade, ao mesmo tempo que expõe os desafios inerentes a treinar modelos com precisão” e avança que o financiamento conquistado “permitirá que a startup continue a expandir os seus produtos produtos - quer o portal Enterprise, quer o Neevo – continue a executar o roadmap de machine learning, que nos torna únicos; e continue a expandir a equipa de vendas mundial para servir melhor os nossos clientes globais”.

Uma estratégia de expansão que tem em Portugal a sua âncora. “Portugal continua no nosso radar para fazer o maior investimento em pessoas”, releva Daniela Braga, numa entrevista a publicar no Expresso Diário de hoje. A CEO da DefinedCrowd anuncia que a empresa tem 40 vagas para preencher até ao final do ano, com perfis altamente qualificados na área das engenharias, ciência de dados, mas também design, vendas e marketing.

Veja no Expresso Diário de hoje a entrevista exclusiva da CEO da DefinedCrowd, Daniela Braga