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Fruta, vinho e hotéis: já reparou que está a pagar mais pelos três (e menos pelo calçado)?

O preço do vinho subiu 5,86% no espaço de um ano

d.r.

Inflação ficou nos 1,5% em junho mas há produtos habituais no cabaz de consumo dos portugueses em que a subida dos preços é bem superior

Quando se fala em subida dos preços, a associação com combustíveis e com maior despesa para abastecer o carro na bomba de gasolina é quase imediata para muitos portugueses. Não é por acaso. É o resultado de sucessivos aumentos que, no caso da gasolina, por exemplo, levou a que os preços estejam em máximos de mais de dois anos.

Sinal disso, os preços dos “combustíveis e lubrificantes para equipamento de transporte pessoal”, que pesa mais de 4% no cabaz de consumo de referência que o Instituto Nacional de Estatística (INE) utiliza para calcular o Índice de Preços no Consumidor, registaram uma variação homóloga de 12,45% em junho, uma das mais elevadas entre os vários grupos de produtos que compõem o cabaz.

Desta forma, o aumento do preço dos combustíveis ficou muito acima do incremento geral dos preços. É que a variação homóloga do IPC foi de 1,5%. Um número que acelerou face a maio (quando estava em 1%) e que esta terça-feira o INE revelará, na estimativa rápida para julho, se continua a subir.

Contudo, não são apenas os combustíveis que estão a pesar mais na sua carteira. Há diversos produtos habituais no consumo dos portugueses que até junho registam uma subida de preços bem acima da inflação. Quais? Fruta, vinho e serviços de alojamento (onde se incluem os hotéis) são alguns exemplos. Ou ainda os jornais e os seguros relacionados com os transportes.

O Expresso apurou quais as maiores subidas de preços desde há um ano (variação homóloga) e o primeiro lugar do ranking é ocupado pelos “Transportes de passageiros por mar e vias interiores navegáveis”, com 19,63%. Contudo, o peso deste tipo de produtos no cabaz de consumo é quase nulo, nos 0,04%. Ou seja, afeta pouco a generalidade das pessoas e o mesmo acontece com os “combustíveis líquidos” (para aquecimento e iluminação), que ocupam o segundo lugar desta lista, com uma variação homóloga de preços 16, 87%, mas que pesam apenas 0,22% no consumo.

Mas a situação é diferente no caso dos “serviços de alojamento”, que ficam no terceiro lugar com uma subida de preços de 1,6,54% até junho, segundo o INE, e que representam 1,3% do consumo total. O mesmo acontece com os já referidos “combustíveis e lubrificantes para equipamento de transporte pessoal” e com o “vinho”, que pesa 1,3% no cabaz de consumo e que aumentou 5,86% no espaço de um ano, um valor que poderia assustar até Baco.

E o que dizer das “frutas”, que representam 1,54% no consumo e onde os preços estão a subir 5,03%? Uma evolução a que não será estranha a situação meteorológica atípica que se vive em Portugal: o inverno foi tardio e a primavera fresca. Como resultado, no primeiro semestre houve muitas campanhas em que a fruta chegou com um atraso de 20 a 25 dias face ao habitual.

Na lista dos maiores agravamentos de preços encontram-se ainda os “Jornais e Periódicos”, com 5,81%, e os “Seguros relacionados com os transportes”, com 5,49%. Grupos de produtos que representam 0,54% e 0,62%, respetivamente, do cabaz de consumo.

Também há preços em queda

No cabaz de consumo também há produtos que se destacam em sentido contrário, ou seja, onde os preços estão a recuar quando se compara junho de 2018 com o mesmo mês do ano passado. Contudo, na maioria dos casos, trata-se de bens ou serviços com pequena expressão no consumo total.

É o caso, por exemplo, do “equipamento para receção, registo e reprodução de som e imagem”, com uma variação homóloga de -12,6% e que representa 0,26% do cabaz. Ou os “equipamentos para desporto, campismo e atividades de recreação e lazer ao ar livre”, onde os preços estão a recuar 12,08% e que pesa 0,12% no cabaz.

Entre os preços que mais caem estão os do “calçado” (-5,25%) e este é um bem básico, sem o qual ninguém passa, e que representa 1,89% do consumo total. Destaque ainda para os transportes aéreos de passageiros, com uma variação homóloga de -6,68% e que pesam 0,73% no cabaz.