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Governo garante que privatização da CP é "fantasia"

Ministro do Planeamento diz que a ideia de entregar a linha de Cascais e a EMEF a privados foi posta de parte. Pedro Marques reiterou que serão alugados mais comboios a Espanha enquanto não avança a compra de novas composições

A privatização da CP - Comboios de Portugal é uma "fantasia", garantiu esta segunda-feira o ministro do Planeamento e Infraestruturas, na sequência de notícias sobre esse cenário.

“Chamo a isso uma fantasia. Essa ideia de tentar atribuir a este Governo qualquer ambição de privatizar a CP é apenas uma fantasia”, sublinhou o governante, garantindo que o Governo “afastou em definitivo” a entrega a privados da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário - EMEF e da linha de Cascais.

Reconhecendo que “boa parte da frota é antiga” e que há “problemas de manutenção”, Pedro Marques notou o reforço dos recursos da EMEF nesta legislatura e o recente anúncio de contratação de mais 102 pessoas.

“Complementarmente vamos alugar material circulante a Espanha, diesel e elétrico, e numa perspetiva de longo prazo vamos adquirir mais material circulante. São concursos com dezenas ou centenas de milhões de euros, que têm que ser juridicamente bem preparados, e enquanto estamos a preparar esse processo e porque demora alguns anos a ser entregue esse material, vamos alugar mais material à Renfe e vamos ter mais gente a fazer manutenção”.

Estando a negociação a decorrer ainda com Espanha, o ministro escusou-se a revelar, por agora pormenores como números de composições que serão alugadas e custos , mas indicou a “expectativa de que o primeiro material circulante possa estar em funcionamento na rede provavelmente no início do ano”.

No domingo, a Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro (APAC) pediu hoje esclarecimentos ao Governo sobre o processo de aquisição de comboios pela CP e alertou para “o caos que se vive na rede ferroviária”.

Numa carta enviada a Pedro Marques, a associação pede explicações sobre “a atualidade ferroviária e as perspetivas da sua evolução”, tendo em vista “a grave situação de colapso operacional em que se encontra de modo muito particular a CP”, e “censura fortemente” o caos que se vive na rede ferroviária para o qual contribuiu “décadas de desinvestimento”.

O Ministério do Planeamento e Infraestruturas avançou no mesmo dia, em comunicado, que “a CP e o Governo estão a preparar o lançamento de um concurso internacional para aquisição de comboios que dote a empresa do material circulante adequado ao compromisso que tem para com os portugueses, assim como ao seu desenvolvimento nas várias frentes em que opera: serviços suburbanos, regionais e longo curso”.

O lançamento desse concurso está previsto no Orçamento do Estado para 2018 e resulta de uma proposta apresentada pelo atual Conselho de Administração da CP, cuja concretização tem vindo a ser desenvolvida em coordenação com o Governo, adianta o comunicado.

“Tendo em conta a tramitação temporal normalmente associada a este tipo de aquisições, a CP e o Governo entenderam manter o programa de aluguer de material circulante a Espanha, de forma a suprir as necessidades de curto no serviço regional”, sublinha o comunicado.

Em simultâneo, a CP está a “investir fortemente” na manutenção do material circulante, através da reestruturação da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), para a qual acaba de ser autorizado o recrutamento de 102 trabalhadores, adianta o ministério.