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A força que carrega o Norte é deles

Escolhidos: Conheça os outros cinco selecionados do grupo de dez que inaugurou o projeto “Os Nossos Campeões”, numa primeira colheita com sotaque nortenho

Além dos feitos conquistados nos respetivos campos, os escolhidos pelos “Nossos Campeões” têm uma coisa em comum: a paixão pela região que os acolhe. É o Norte que ajudam a ganhar destaque nacional e levam aos quatro cantos do mundo. Seja pela voz de Gisela João, na roupa por medida de Artur Santos, com a inovação tecnológica de Carlos Ribas, no gado maronês de Avelino Rego ou pela investigação científica de Rui Reis. Fazem parte do projeto que junta Novo Banco, SIC Notícias e Expresso para dar a conhecer uma nova geração que, em cada região do país, faz do dinamismo a palavra de ordem nas suas áreas. Após José Teixeira, Olga Martins, Fernando Pimenta, Fortunato Frederico e Pedro Carreira, conheça os restantes cinco protagonistas desta primeira seleção.

AVELINO REGO

Nelson Silva

“Voltei porque senti o chamamento de fazer algo pelo interior.” É assim que Avelino Rego explica porque deixou o seu trabalho estável na engenharia informática para optar pelo incerto e rumar à aldeia de Lamas, na serra do Alvão, para se dedicar à criação de gado maronês. Com 34 anos, encontra-se a tirar mestrado em engenharia florestal na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e é a mente detrás de um projeto que procura trazer de volta mais jovens para as localidades do interior para dinamizar a economia e ajudar as populações. Apesar de garantir que a produção de carne “é o principal produto” da Terra Maronesa, Avelino revela que a criação de gado para consumo “vai muito além disso.” É também a forma que encontrou de apostar na vegetação para aumentar a sustentabilidade. Por outro lado, recorre também ao seu passado digital para aplicar novas soluções no controlo da empresa e torná-la mais eficiente. Entre a gestão dos terrenos baldios e a construção de novas estradas na localidade com 130 habitantes, a missão do produtor ainda está longe de estar terminada. Mas é certo que está bem encaminhada.

CARLOS RIBAS

Luc\303\255lia Monteiro

República do Congo, EUA e Japão são alguns dos locais por onde já passou a carreira de Carlos Ribas. “Um privilégio”, como lhe chama. Mas é a partir de Braga que o gestor se tem destacado através do seu trabalho à frente da Bosch em Portugal, que acumula com a administração da Bosch Car Multimedia.

Com uma formação em liderança e gestão global obtida no Japão e em Global Leadership Executive pela Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, está na multinacional alemã desde 2003 e não esconde que a passagem pelo Japão foi uma das mais marcantes do seu percurso, como consequência do profissionalismo daquele povo, do altruísmo e da forma como é encarado o trabalho: “Por exemplo, lá é normal chegarem com a bata vestida! Os gestores são os primeiros a chegar, os últimos a sair e contactam diariamente com as pessoas na fábrica. Foi deliciosa, essa aprendizagem”, conta. Ensinamentos que o ajudam no dia a dia e que contribuíram para que nos últimos três anos tivesse duplicado a área ocupada e quase triplicasse as receitas da unidade de Braga. Para o futuro, o objetivo é ter ali a primeira fábrica a produzir carros 100% autónomos em 2025. Para Carlos, Portugal tem que fazer parte “do clube da criação.”

GISELA JOÃO

Paulo Duarte

A fadista não tem dúvidas: “Tive que sair de onde sou para conseguir ter o que tenho.” Algo que ainda hoje a acompanha e que recorda, mesmo após o sucesso já alcançado numa carreira que ainda é curta. Melhor intérprete em 2014 dos Globos de Ouro, melhor disco de música portuguesa em 2014 para várias publicações ou mulher do ano para a revista “GQ” em 2015 são algumas das distinções que ostenta, num percurso para o qual olha com muito orgulho, sobretudo pelas dificuldades que teve de enfrentar. “Vim de Barcelos, cidade pequena, filha de operários numa família grande que passava dificuldades. Tudo o que consegui até hoje não era nada expectável. E eu consegui”, atira.

Após seis anos a morar no Porto, Gisela mudou-se para Lisboa, no rumo do sonho, onde viveu numa casa pequena na Mouraria enquanto encontrava uma forma de se sustentar e cumprir as aspirações que trazia consigo. Sentiu-se muitas vezes só e com vontade de desistir. Será seguro dizer que ainda bem que não o fez. Começou por concertos em casas de fado até que o seu talento a levou a palcos cada vez maiores e à possibilidade de finalmente gravar um álbum. Anos de lutas e conquistas que traz consigo como armadura e a ajudam a encarar a vida de outra forma. “Sempre me inspirou algo que a minha avó me dizia: minha filha, não são os outros que te vão pôr comida na mesa. Tu é que sabes da tua vida.” Por isso, gosta de mostrar às crianças que “é possível.”

ARTUR SANTOS

Paulo Duarte

Sempre à procura de “novas oportunidades profissionais e também novos sonhos”. A que lhes vai tirando as medidas como alfaiate profissional que dá cartas no meio profissional. Assim é Artur Santos, o alfaiate e fundador da Art’Sartorial que começou a carreira num mundo que, à primeira vista, parece o oposto do da moda: o dos campos de futebol. “Tive uma curta carreira em divisões secundárias”, conta. Um primeiro sonho que acabou em desilusão aos 23 anos, após estar nove meses consecutivos sem receber o salário, “situação muito difícil de qualquer pessoa superar.” A recuperação encontrou-a no campo da moda, quando transpôs o gosto que já tinha por vestir bem para um negócio seu.
Tudo começou com um curso de consultadoria de imagem, que lhe permitiu entrar no mercado e “crescer imenso” em contacto com os clientes.

Mas o momento-chave surgiu quando foi convidado para ser um dos fundadores do clube Portuguese Dandy’s. Foi aí que começou “a ver as coisas por outro prisma” e verdadeiramente despertou para “o bichinho da roupa por medida.” Criou então a marca que hoje é a sua vida e para a qual olha como “um sonho conquistado” e sempre com a noção de que “o difícil não é criar, é fazer crescer.” E é nisso que Artur “trabalha diariamente.”

RUI REIS

Rui Duarte Silva

Prémio Internacional UNESCO de Investigação em Ciências da Vida 2017, Rui Reis é professor catedrático, vice-reitor da Universidade do Minho e diretor do grupo de investigação 3B’s — Biomateriais, Biodegradáveis e Biomimético, um dos mais reputados do género a nível nacional e internacional. É partir daí que li dera 160 investigadores e 15 laboratórios centrados no desenvolvimento de biomateriais de base natural e no estudo das suas aplicações biomédicas. “Pegamos em elementos de origem natural para depois misturar com células estaminais e criar tecidos” artificiais, que podem ser “osso, pele ou cartilagem, por exemplo”.

Trabalho de uma vida para o qual o investigador se preparou à imagem do Futebol Clube do Porto, o clube que “quase nasceu” com ele e que o ensinou que “é possível ganhar a nível internacional sendo muito pequenino. Se houver uma estratégia, um trabalho, não é o orçamento ou a dimensão das coisas que faz com que se ganhe ou perca”.