Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Century 21 cresce 17% com venda de casas na periferia das cidades

Mediadora registou aumento da procura nas periferias das grandes cidades

Aumento foi de 17% face ao mesmo período do ano passado. Valor das comissões foi de €19,3 milhões, uma subida de 30%

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A Century 21 mediou a venda de 5688 casas entre janeiro e junho de 2018, o que representa um crescimento de 17% face ao mesmo período do ano passado. De acordo com a empresa, a melhoria deve-se a um aumento das transações nas periferias das cidades, para onde tem existido uma maior procura dos portugueses.

“Temos vários exemplos, sendo os mais óbvios os casos de Odivelas, Amadora, Linha de Sintra, Maia, Gaia ou a margem sul de Lisboa e outros como Setúbal, Évora, Coimbra, Braga ou Leiria que, além da procura nacional começam a absorver também procura internacional”, diz ao Expresso o diretor-geral da Century 21 em Portugal e Espanha, Ricardo Sousa.

A tendência deve-se ao facto de estas serem zonas “onde o acesso ao crédito à habitação tem uma maior influência no número de transações e onde o valor médio dos imóveis está mais ajustado ao rendimento disponível das famílias portuguesas”, diz a empresa. Ou seja, isto “permite concluir que o poder de compra da maioria dos portugueses não suporta os níveis de preços da habitação nos centros das maiores cidades nacionais”.

“O mercado imobiliário nacional continua a enfrentar grandes desafios para dar uma resposta adequada às necessidades das famílias portuguesas. A oferta existente está bastante desajustada da procura, sobretudo em termos das reais capacidades financeiras da classe média portuguesa, que é o principal segmento do mercado em Portugal”, acrescenta Ricardo Sousa.

O problema é que, com o aumento da procura, os preços das casas nestas zonas, sobretudo as dos segmentos médio e médio baixo, já começaram a subir, repara a Century 21, o que se traduziu num aumento do valor médio das casas mediadas pela rede no período em análise. “No primeiro semestre do ano aumentou 11%, para os €135,4 mil, quando comparado com a média nacional de €121,6 mil registada no período homólogo do ano anterior”, adianta a empresa. E traduziu-se ainda num aumento de 30% para €770,2 milhões do valor dos negócios mediados na Century 21, em exclusivo e em parceria com outras mediadoras.

Não é, por isso, de admirar que, à semelhança de todos os outros indicadores, a faturação — o equivalente às comissões conseguidas — tenha crescido 30%, para €19,3 milhões entre janeiro e junho.

“Este é o resultado da estratégia de expansão da marca, que se está a traduzir no reforço da quota de mercado em várias zonas do país. Mas também é evidente que a procura da mediação imobiliária é cada vez maior”, diz Ricardo Sousa, que estima que, no segundo semestre, “os indicadores de operação da rede mantenham um crescimento similar”. Porque, apesar de ser “expectável uma estabilização das transações nos segmentos médio alto e de luxo, os médio e médio baixo deverão continuar a registar um crescimento”.

Estrangeiros 
ganham destaque

O aumento das vendas feitas pela mediadora — a terceira maior a operar em Portugal, após a Remax e a Era — deve-se também a um crescimento de 15,4% das transações com estrangeiros, nomeadamente franceses, brasileiros, britânicos e belgas. Segundo a empresa, entre janeiro e junho fizeram-se 1138 operações com estes clientes, que passaram a representar 20% do total.

Mas também neste segmento a Century 21 começou a notar alterações no tipo de procura. Diz Ricardo Sousa que as preferências têm incidido em T2 até €300 mil nas regiões de praia e até €500 mil nos centros históricos de Lisboa, Porto e na Linha de Cascais. Mas que, “em virtude do aumento de preços nestas zonas” se começou a registar uma maior procura e até transações noutros mercados situados “num raio de 150 a 200 quilómetros dos aeroportos nacionais”.