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A nova (e luxuosa) vida do velho edifício do “Diário de Notícias”

Reconversão. Prédio histórico de Lisboa vai ser transformado em 34 apartamentos de luxo. O maior ainda não tem preço

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Se tudo correr conforme previsto, é já este verão que arrancam as obras de transformação do emblemático e histórico edifício do “Diário de Notícias” num prédio de habitação com 34 apartamentos de luxo. O projeto de arquitetura, da autoria da Contacto Atlântico, está concluído, a licença de construção já foi emitida e só está mesmo a faltar escolher a empresa que vai fazer as obras que durarão cerca de 20 meses.

Este é o prazo definido para a conclusão daquela que é, desde já, uma das mais icónicas e complexas reabilitações realizadas em Lisboa nos últimos anos. “Nos oito projetos que temos em curso, este foi o maior desafio que tivemos até agora. Ficou desde logo muito claro com a câmara que teríamos de preservar a maior parte do edifício”, conta Aniceto Viegas, o diretor-geral da Avenue, a empresa que comprou o edifício e está a desenvolver e a gerir o novo projeto. Ou seja, trata-se mais de um trabalho de requalificação, restauro e compartimentação do interior do que de uma reabilitação propriamente dita, até porque haverá poucas demolições, repara o mesmo responsável.

Sala do T5 que ocupa todo o piso 5

Sala do T5 que ocupa todo o piso 5

A cozinha do T5 terá uma varanda

A cozinha do T5 terá uma varanda

Sala do T3 do piso 2 atualmente

Sala do T3 do piso 2 atualmente

Futura sala do T3 do piso 2

Futura sala do T3 do piso 2

De facto, por fora, vai manter-se tudo igual, como se pode ver na imagem. Tanto a emblemática fachada que dá para a Avenida da Liberdade, que manterá a porta giratória, o lettering e o mosaico da parede lateral, como a fachada que dá para a Rua Rodrigues Sampaio. Isto porque o prédio se estende de uma rua à outra. Aliás, até manterão as duas entradas.

E, no interior, apesar de irem ali nascer 34 apartamentos de luxo com tipologias que vão do T0 ao T5, teve de se manter a atual estrutura e uma grande parte dos elementos que caracterizam o edifício desenhado pelo arquiteto Porfírio Pardal no final da década de 30.

Foi o caso dos frescos desenhados por Almada Negreiros; dos revestimentos em pedra e mármore e do chão de madeira de algumas das divisões; do elevador da época e da escadaria do lado da Avenida da Liberdade; dos corredores que fazem a ligação com o lado da Rua Rodrigues Sampaio; e até dos corrimões, incluindo a sua cor original.

Ou seja, apesar de este edifício de cinco pisos agora se passar a chamar, comercialmente Liberdade 266, será sempre o edifício do “Diário de Notícias”.

Casa maior 
ainda não tem preço

Só pela localização, mesmo no topo da Avenida da Liberdade, junto à praça Marquês de Pombal e ao Parque Eduardo VII, o novo Liberdade 266 já pede para ser habitação de luxo. Mas juntando o facto de se tratar de uma reabilitação de um edifício tão histórico e emblemático, de ter apartamentos virados para a Avenida e da necessidade de toda esta atenção ao detalhe, ainda mais óbvio é que o custo dos apartamentos seja elevado.
Assim, os preços dos T0 vão dos €430 mil aos €640 mil, os T1 vão dos €560 mil ao €995 mil, os T2 oscilam entre €1,1 milhões e €1,4 milhões e os T3 entre €1,7 milhões e €2,1 milhões. Este último valor, que se refere ao T3 do segundo piso que dá para a Avenida da Liberdade é, aliás, o mais alto neste momento. Isto porque ainda não há preço para o T5 que ocupa todo do piso cinco. “É um apartamento muito especial. Tem 408 m2 mais 416 m2 de terraço, um aberto, num saguão a meio da casa e outro coberto do lado da Avenida, tem ainda acesso por um elevador próprio e um estúdio independente com dois pisos no torreão. Como tal tem um público alvo muito reduzido e o valor vai ter de ser ponderado para que não se torne inacessível”, adianta Aniceto Viegas.

É, por isso que, a comercialização deste T5 só arrancará “no último trimestre do ano”, ao contrário dos restantes apartamentos cujas vendas começam agora com a apoio da mediadora de luxo Porta da Frente e da consultora JLL. Um processo que deve ser relativamente rápido “porque já há várias manifestações de interesse, maioritariamente de portugueses e brasileiros que têm sido os principais compradores nos nossos outros projetos”, conclui.