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Região de turismo quer acabar com os ‘monos’ no Algarve

Os Armazéns Pombalinos, em Vila do Bispo, fazem parte do pacote de mamarrachos que se pretende reabilitar

Já estão identificados 16 edifícios devolutos ou obras inacabadas para levar aos investidores internacionais

Pôr no mercado imobiliário as obras inacabadas que se tornaram ‘monos’ a estragar a paisagem, é uma das prioridades de João Fernandes, que na sexta-feira tomou posse como presidente da Região de Turismo do Algarve (antes era vice-presidente e substitui Desidério Silva no cargo).

“Há vários prédios em zonas nobres e turísticas que estão há anos devolutos e com as obras paradas, com um impacto claro na degradação da paisagem urbana, e podiam ter outro aproveitamento do ponto de vista turístico”, constata João Fernandes, enfatizando a necessidade de “aproveitar este ciclo positivo da procura imobiliária para acabar com alguns ‘monos’ no Algarve”.

Segundo João Fernandes, já foram identificados 16 ativos a levar aos investidores, que neste momento são “elefantes brancos em espaços estratégicos do Algarve”, e na preocupação de ter “uma oportunidade por cada cada concelho”. Deste pacote fazem parte edifícios públicos degradados ou em ruínas, como o Forte do Rato, em Tavira, os Armazéns Pombalinos, em Vila do Bispo, o Forte de Santa Catarina, em Portimão ou o Forte de São Roque, em Lagos, além de mamarrachos resultantes de obras inacabadas como a que está junto ao miradouro da Ponta da Piedade. O presidente da Região de Turismo do Algarve frisa tratar-se de um “primeiro portefólio”, e que o trabalho de identificar mais ‘monos’ irá prosseguir ao longo dos cinco anos do mandato. “Queremos começar em 2018, mas ir passo a passo a comercializar estas oportunidades de investimento”, sublinha. “Também estaremos disponíveis para as imobiliárias apresentarem casos de prédios devolutos ou de hotéis que estejam para venda”.

Nesta primeira fase, o objetivo é ter o portefólio dos 16 ativos fechado em setembro, para poder ser promovido junto de investidores internacionais no primeiro trimestre de 2019 em ações de roadshow. Um trabalho que obriga a “apurar imóvel a imóvel, os donos desses ativos (privados, Estado ou câmaras), os impasses a desbloquear e o investimento que é necessário para que um investidor os possa valorizar, pois só vai para o mercado o que estiver em condições de ser vendido”. Um papel de relevo terão aqui os bancos, que além de deterem muitos desses ativos “têm informação privilegiada e sabem em que países estão os potenciais investidores que podemos mobilizar”, refere o responsável. “Para este trabalho, vamos também aproveitar a plataforma Invest Portugal do Turismo de Portugal, e nas operações de charme com os investidores nos seus países utilizar as embaixadas, consulados e a sua rede de relações”.

O que está em jogo neste campo “não são negócios de pequena dimensão, os investimentos podem ser da ordem dos €30 milhões”, frisa João Fernandes. Sem pretender “substituir os privados”, a Região de Turismo do Algarve quer ser aqui um “facilitador do encontro entre a oferta disponível e os investidores” e ter “um papel proativo na captação de investimento para a região, pois há muitas oportunidades de investimento no Algarve que não se resumem à compra e venda de um hotel”.

€30 milhões para requalificar a oferta no Algarve

Outro foco do presidente da região de turismo é “a necessidade de requalificar e rejuvenescer a oferta do Algarve, o que é essencial para a imagem que se projeta do destino, e que está agora com maior concorrência”. Destaca aqui a nova linha criada pelo Governo, com €30 milhões destinados ao Algarve, para “requalificação de infraestruturas de hotelaria, restauração, mas também com uma dinâmica mais inovadora ao nível dos serviços, que além do Turismo de Portugal também envolve a banca”.

João Fernandes faz notar que “nos últimos dois quadros comunitários o Algarve não foi beneficiário dos grandes envelopes financeiros, daí ser preciso dar uma atenção especial neste campo ao que é o principal destino turístico nacional”.

Tomar medidas face à concorrência de outros destinos é um desafio que se coloca ao novo presidente da região de turismo. “Sabíamos que mais cedo ou mais tarde a Turquia e a Tunísia iam reerguer-se, e que isso ia ter impactos no Algarve”, salienta. Lembra que este ano “a conjuntura é adversa, com as incertezas do ‘Brexit’ e as expectativas de consumo dos britânicos”, a somar-se ao buraco com as “falências da Monarch, Niki e Air Berlin, que valiam 10% dos passageiros no aeroporto de Faro”. Mas enfatiza que se as dormidas de estrangeiros desceram até maio 2,5%, os proveitos subiram 5,7%. “O Algarve, apesar de tudo, está a ser resiliente e a crescer em valor, o que é o grande objetivo para 2018.”