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Mario Draghi: acordo entre Juncker e Trump é um bom sinal

Yuri Gripas / Reuters

O presidente do Banco Central Europeu valorizou esta quinta-feira o acordo comercial parcial entre os EUA e a União Europeia celebrado no dia anterior, mas diz que é cedo para avaliar a sua substância. Respondeu à acusação de que o euro está a ser manipulado competitivamente, recordando que a moeda valorizou no último ano e meio

Jorge Nascimento Rodrigues

“Tomámos nota do acordo” entre a União Europeia e os Estados Unidos celebrado na quarta-feira em Washington, disse esta quinta-feira Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), na conferência de imprensa que se realizou em Frankfurt após a conclusão da reunião de política monetária. “É um bom sinal”, acentuou.

No entanto, Draghi não quis desenvolver a apreciação do acordo parcial divulgado ontem por Donald Trump, o presidente dos EUA, e Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, que se deslocou à Casa Branca, pois é “ainda demasiado cedo para avaliar a substância”.

Mas o italiano não deixou de ironizar, sem o deixar transparecer: “[O acordo] mostra que há uma vontade em discutir de um modo multilateral”. O que seria contrário à retórica do presidente norte-americano que insiste nas virtudes do unilateralismo em política comercial e global.

Draghi aproveitou, ainda, para responder às acusações num tweet de Trump de que a Zona Euro, tal como a China, estaria a manipular a sua divisa. “Ainda que as taxas de câmbio não sejam um objetivo da política [monetária do BCE]” e que a posição “que já tem décadas é [do banco] de rejeitar desvalorizações competitivas”, Draghi sublinhou que, no caso do euro, a trajetória é exatamente contrária. É de “apreciação no último ano e meio” em relação ao cabaz de moedas dos seus principais parceiros comerciais. Aliás, desde abril de 2015 que a tendência é de apreciação do euro face ao cabaz de moedas dos parceiros. Até à data, valorizou mais de 12%.

Apesar dos sinais positivos do acordo Juncker-Trump, o BCE mantém a sua análise fundamental que “o protecionismo se mantém elevado” e que é um risco global externo que alimenta a incerteza sobre a evolução da economia. “A incerteza aumentou sobretudo tendo em conta o atual debate sobre o comércio”, frisou Draghi na conferência de imprensa.

Incerteza exige flexibilidade

Incerteza que leva o italiano a reafirmar que as três palavras-chave da atual política do BCE são prudência, persistência e paciência, os já célebres 3P de Draghi. Uma das consequências dessa orientação é manter em aberto o que o BCE designa como "opcionalidade", ou seja a flexibilidade nas opções de política monetária para enfrentar "quer eventos previsíveis quer outros que não o são, mas que podem acontecer".

O BCE antecipou em junho que tenciona descontinuar o programa de aquisição de ativos no final de dezembro e de a partir de setembro reduzir para metade as aquisições, mas isso estará dependente dos dados económicos.

Não foi mais longe do que a formulação em inglês de que o BCE não mexe nas taxas de juro "pelo menos até durante o verão", apesar da pressão dos analistas para uma maior clarificação.

E quanto aos limites da política de reinvestimentos do capital aquando das amortizações dos títulos que tem em carteira disse que o tema não foi discutido nem sequer foi "discutido quando o discutir".

  • BCE não mexe na política de estímulos

    O Banco Central Europeu decidiu esta quinta-feira manter o quadro de política monetária aprovado na reunião de junho. Programa de compra de ativos poderá terminar em dezembro deste ano e taxas de juro não serão subidas até "durante o verão" do próximo ano. Atenção dos investidores vira-se para conferência de imprensa de Mario Draghi daqui a menos de uma hora em Frankfurt