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Facebook desvaloriza €150 mil milhões em 24 horas

Justin Sullivan/ Getty Images

As receitas, a margem operacional, o número de utilizadores e a venda de publicidade continuam a crescer, mas a ritmos menos promissores. Os investidores castigam Zuckerberg e ações caem mais de 20%

Os resultados trimestrais foram dececionantes e os investidores não tardaram em castigar o Facebook. Na terça-feira, vésperas do anúncio dos resultados, as ações da rede social tinham fechado a valer uns cêntimos acima dos 279 dólares (231 euros), mas, nas horas seguintes à comunicação, as negociações mostraram uma descida precipitada para os 172 dólares (147 euros), caindo 22%. Esta quinta-feira, na abertura das praças americanas, as ações abriram a valer 176 dólares.

A tecnológica reportou uma desaceleração do crescimento, tanto nas receitas como na margem operacional, mostrando que, afinal, o gigante fundado por Mark Zuckerberg pode estar a perder fulgor. E os investidores fizeram saber rapidamente o seu desagradado. Em menos de 24 horas, perto de 160 mil milhões de dólares com a capitalização bolsista do Facebook a perder, num ápice, mais de 180 mil milhões de dólares (150 mil milhões de euros). Às primeiras horas de negociação desta quinta-feira, a capitalização bolsista caiu para os 504 mil milhões de dólares (431 mil milhões de euros). Num ápice, a fortuna de Zuckerberg terá emagrecido 16 mil milhões de euros.

Em grande parte por causa dos recentes escândalos em que se viu envolvido, nomeadamente os problemas de privacidade no caso Cambrigde Analytica, que afetou milhões de utilizadores, e a proliferação de notícias falsas, que, alegadamente, terão influenciado o resultado eleitoral das últimas eleições presidenciais norte-americanas, que elegeram Donald Trump.

Nas últimas semanas o Facebook tem sido acusado de ajudar a propagar desinformação que estará a servir para incitar à violência em países como a Birmânia, a Índia ou o Sri Lanka. Neste último, a publicação de conteúdos falsos terá levado a confrontos entre muçulmanos e a maioria budista. Entre as notícias falsas, encontrava-se uma publicação, entretanto removida, que afirmava que os muçulmanos estariam a envenenar budistas com comida oferecida ou vendida aos mesmos.

A estas polémicas somam-se outros efeitos, como a entrada em vigor, na Europa, do novo enquadramento europeu para a proteção de dados. Soma-se ainda a maior concorrência de outras plataformas digitais.

Um contexto que, misturado, levou a uma desaceleração do crescimento do negócio, assim como do número de utilizadores. Por mês, o Facebook teve 2,23 mil milhões de utilizadores ativos, abaixo dos 2,25 mil milhões estimados pelos analistas. E, no mercado europeu, os utilizadores ativos mensais reduziram-se em um milhão.

O administrador financeiro do Facebook, Dave Wehner, referiu, numa curta apresentação, que os resultados mais modestos apresentados têm a ver com um reforço do investimento na área da segurança e do combate à desinformação. "Estamos a investir tanto em segurança que isso terá um impacto no nosso lucro", referiu. "Estamos a começar a ver esse efeito neste trimestre", acrescentou.

De acordo com o responsável, os custos operacionais cresceram 50% relativamente ao período homólogo do ano passado, contemplando já os 7,4 mil milhões de dólares usados para aumentar e melhorar a monitorização dos conteúdos publicados na rede social, assim como garantir a proteção da privacidade dos utilizadores.

A empresa tecnológica registou receitas de 13,23 mil milhões de dólares (11,31 mil milhões de euros), abaixo dos 13,34 mil milhões de dólares (11,4 mil milhões de euros) no mesmo período de 2017 - apesar dos ganhos, por ação, terem subido de 1,32 dólares (1,13 euros) para 1,72 dólares (1,49 euros). Já as margens operacionais fixaram-se nos 44%, quando comparadas aos 47% do segundo trimestre do ano passado.

As vendas de publicidade na plaraforma cresceram 42%, mas, novamente, o ritmo mais lento dos últimos três anos.

Dave Wherner justificou estes resultados com as flutuações de divisa e a transferência dos utilizadores para novas funcionalidades do Facebook, com menos publicidade.

(Notícia atualizada às 13h30, com dados sobre a negociação em bolsa do Facebook esta quinta-feira)