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BCE não mexe na política de estímulos

Draghi decretou o fim do QE, mas deu prolongamento para as compras e disse que não mexia nas taxas até ao verão de 2019

Ints Kalnins/ REUTERS

O Banco Central Europeu decidiu esta quinta-feira manter o quadro de política monetária aprovado na reunião de junho. Programa de compra de ativos poderá terminar em dezembro deste ano e taxas de juro não serão subidas até "durante o verão" do próximo ano. Atenção dos investidores vira-se para conferência de imprensa de Mario Draghi daqui a menos de uma hora em Frankfurt

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu na reunião desta quinta-feira não alterar o quadro de política monetária, reafirmando a estratégia definida em junho. A atenção dos investidores e dos analistas vira-se, agora, para a conferência de imprensa que o presidente do banco, Mario Draghi, dará em Frankfurt a partir das 13h30 (hora portuguesa).

A reunião do BCE coincidiu com o sexto aniversário da famosa frase proferida por Draghi em Londres, à margem de uma conferência financeira, de que faria "tudo o que for necessário para manter o euro e, acreditem, será suficiente".

O Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento (taxa diretora) e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito por parte dos bancos permanecerão sem alteração em mínimos históricos, em 0%, 0,25% e -0.40% (valor negativo), respetivamente.

A equipa de Mario Draghi espera que as taxas de juro diretoras se mantenham nos níveis atuais, pelo menos, até durante o verão de 2019 e, em qualquer caso, enquanto for necessário para assegurar a continuação da convergência sustentada da inflação no sentido da meta oficial de abaixo, mas próximo, de 2% no médio prazo.

No que respeita às medidas de política monetária não convencionais, o banco central do euro continuará a efetuar aquisições líquidas ao abrigo do programa de compra de ativos ao ritmo atual mensal de €30 mil milhões até ao final de setembro de 2018. Após setembro, mas sob reserva de os dados entretanto disponibilizados confirmarem as perspetivas relativamente à inflação no médio prazo, o BCE prevê que o ritmo mensal das compras líquidas seja reduzido para €15 mil milhões até ao final de dezembro de 2018 e que no final do ano terminem.

O Conselho do BCE reafirmou, ainda, o plano de reinvestir os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do programa de compra da ativos durante um período prolongado após o termo das aquisições líquidas e, em qualquer caso, enquanto for necessário para manter condições de liquidez favoráveis e um nível amplo de uma política monetária de estímulos.

À espera que Draghi clarifique melhor a estratégia

Os investidores esperam, agora, que o italiano dê sinais de maior clarificação da estratégia anunciada em junho e que se pronuncie sobre o clima de guerras comerciais - apesar do acordo parcial celebrado na quarta-feira entre Trump e Jean-Claude Junker - e de eventual guerra de divisas, depois de um tweet do presidente norte-americano ter acusado a zona euro e a China de manipularem as suas divisas.

A decisão de terminar o programa de compra de ativos - incluindo aquisição no mercado secundário de dívida pública emitida pelos membros do euro - continua dependente da evolução económica. E Draghi ainda não clarificou o que o BCE entende por não mexer nas taxas de juro "pelo menos até durante o verão" de 2019.

Uma sondagem da Bloomberg publicada esta semana dava conta que 36% dos entrevistados apontava o início da subida das taxas de juro em dezembro de 2019, já cok o sucessor de Draghi, que termina o mandato em final de outubro do próximo ano.

A mesma sondagem apontava dezembro de 2020 como o final para o plano de reinvestimentos que o BCE tem em curso e que é encarado, por muitos analistas, como uma espécie de "QE suave" ou "QE encoberto", que continuará, pelo menos na previsão dos entrevistados pela Bloomberg, por mais dois anos.