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Miguel Maya quer mais crescimento e menos corte de custos no BCP

Marcos Borga

Miguel Maya assume esta quarta-feira a presidência BCP com uma nota optimismo. Lembra que o banco passou uma “fase dificílima” que nenhum profissional da casa esquecerá, mas defende que chegou o momento de passar do corte de custos para uma estratégia urgente de crescimento do negócio

Profundo conhecedor do BCP, Miguel Maya obteve luz verde do Banco Central Europeu (BCE), e assume esta quarta-feira, ao fim de 28 anos de casa, a liderança executiva do banco. Em carta aos trabalhadores, diz que é o momento de voltar a focar o BCP numa estratégia de crescimento.

“Nos últimos anos considerámos imperativo (e foram inequivocamente opções corretas), que o nosso esforço principal se centrasse no ajustamento da base de custos e na melhoria da qualidade do balanço. São frentes de um trabalho que fizemos bem e que, sabemos, nunca deverá deixar, não deixará, de merecer a nossa especial atenção. (...) Sabemos que a médio e longo prazo a capacidade de criar valor está sobretudo dependente da geração de receitas, do crescimento do negócio. É assim chegado o momento, porque o trabalho realizado assim o permitiu, de colocar, com sentido de urgência, o crescimento do negócio no centro da estratégia do Millennium bcp”, sublinha Miguel Maya, na carta que enviou esta quarta-feira aos trabalhadores.

O gestor explica na missiva que o banco quer “afirmar o crescimento sustentável em Portugal, em Moçambique, na Polónia, em Angola, na Suíça, em Macau e em todos os pontos em que temos presença comercial”. Hoje o maior acionista do BCP é a chinesa Fosun.

Maya destaca a importância do ActivoBank. “Esta determinação em crescer abrange também o ActivoBank, operação que ainda há relativamente pouco tempo esteve em risco de ser vendida, mas que, por mérito das suas equipas, conquistou um lugar relevante no portfólio de negócios do grupo”, frisa.

“Crescer (...) implica assumir o compromisso perante a sociedade de sermos motores do crescimento económico nos mercados e segmentos de negócio em que atuamos, o compromisso de financiarmos as empresas, os empreendedores e as famílias com iniciativas que gerem prosperidade e bem estar”, sublinha do novo presidente do banco.

No balanço dos últimos anos do BCP, Miguel Maya exalta a capacidade e “resiliência” dos trabalhadores para ultrapassar os anos de tormento que o banco passou. “Foi o ponto final de uma etapa dificílima da história do Millennium bcp, uma etapa que nenhum dos profissionais desta casa esquecerá. Uma aprendizagem dura mas que nos tornou mais fortes”. Optimista, Miguel Maya defende que há agora novas oportunidades. “Este final de etapa é simultaneamente o ponto de partida para um novo destino, para o qual nos estamos a mobilizar com o entusiasmo com que as equipas vencedoras se preparam para os novos desafios.”, sublinhou o gestor em tom mobilizador.

Para avançar no projeto de crescimento. Miguel Maya, desenhou um plano a que chamou "Plano Mobilizar". "Esta palavra contém em si três conceitos fundamentais para o futuro do Millennium bcp: mobilizar as pessoas, as equipas, conferindo-lhes mais autonomia e esperando delas maior iniciativa (...); mobilizar no sentido de colocar os serviços móveis (mobile) no centro da estratégia da interação dos clientes com o banco; mobilizar no sentido que a palavra mobile tem em latim, de móvel, de nos movermos, de nos transformarmos, em antecipação e em função da evolução das necessidades e preferências dos clientes".

O novo conselho de administração liderado por Miguel Maya foi eleito em Assembleia Geral no passado dia 30 de maio.