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Inspeção ainda não concluiu nada sobre a Ryanair ao fim de 4 meses de investigação

Horacio Villalobos/Corbis via Getty Images

Autoridade para as Condições de Trabalho está desde finais de março a investigar legalidade da atuação da low cost durante a última greve. Esta quarta-feira há nova paralisação e a Inspeção diz que está “pronta a intervir”

Quando o pessoal de voo da Ryanair deu início a uma greve de três dias a 29 de março, as suspeitas de assédio e pressão sobre os trabalhadores grevistas levaram os sindicatos a pedir a intervenção dos inspetores de trabalho. A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) confirma que “acompanhou a greve” nos aeroportos de Lisboa, do Porto e de Faro. Confirma ainda que pretendeu “verificar a existência de alegadas irregularidades em matéria de substituição de trabalhadores grevistas”. Mas, quatro meses depois, ainda não chegou a nenhuma conclusão. Nem avança com uma data prevista para que tal venha a acontecer.

Entre esta quarta e quinta há nova greve. E desta vez a nível europeu. Os sindicatos representativos do pessoal de cabine da Ryanair em Itália, em Espanha, na Bélgica e em Portugal vão paralisar contra as condições de trabalho exigidas pela companhia low cost irlandesa e, na verdade, o ‘mau exemplo’ do comportamento da Ryanair durante a greve portuguesa pesou no toque a reunir dos sindicatos.

Os sindicatos que convocaram a paralisação garantem que “outros sindicatos de diversos países europeus” apoiam a iniciativa, “mas, devido a restrições legais, não podem por agora” convocar uma greve. E deixam o aviso: “Se a Ryanair continuar com esta situação de impasse, mais ações industriais podem seguir-se nas próximas semanas”, lê-se em comunicado.

Ao Expresso, a ACT garante estar a “acompanhar a situação da greve convocada para os dias 25 e 26 de julho e pronta a intervir, caso se revele necessário”.

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Demora de quatro meses

O inquérito aberto não está parado, garante a ACT. Mas certo é que, quase quatro meses depois de ter sido aberto, também não há conclusões. “Por estarem ainda em curso diligências para apuramento de toda a factualidade, é prematuro nesta fase avançar com os resultados”, diz a responsável pela Comunicação da ACT em resposta às questões levantadas pelo Expresso.

A mesma fonte esclarece que, depois das inspeções desencadeadas por altura da greve em Portugal, a ACT achou “necessário solicitar à sede da Ryanair, em Dublin, Irlanda, bem como às suas subcontratadas Workforce e Crewlink, um conjunto vasto de informação”. Todas as empresas responderam à autoridade nacional, que considerou necessários “esclarecimentos complementares”.

“A ACT aguarda, presentemente, o envio da informação complementar solicitada, após o que procederá à sua análise e conclusão da intervenção inspetiva”, conclui.