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Herdade da Comporta: Holyoake e Portugália acusam Paula Amorim de “deturpações e falsidades”

Herdade da Comporta tem vários interessados

Maurício Abreu

Paula Amorim e Claude Berda são o alvo de uma carta que o consórcio de Mark Holyoake e da Portugália enviou aos participantes do fundo imobiliário da Comporta, onde acusam ainda aquela empresária de agir “de má fé”

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O processo de compra da área imobiliária e turística da Herdade da Comporta está ao rubro. O consórcio que junta os empresários britânicos Mark Holyoake e Anton Bilton e a empresa portuguesa Portugália acusa Paula Amorim e o milionário francês Claude Berda de terem transmitido aos participantes do fundo da Herdade da Comporta “deturpações” e “falsidades”.

“O consórcio nosso concorrente (Amorim Luxury / PN) apresentou uma comunicação aos senhores participantes do fundo que assenta num conjunto de deturpações de factos e de falsidades”, apontam Holyoake, Bilton e a Portugália numa carta enviada segunda-feira aos participantes do fundo da Comporta, a que o Expresso teve acesso.

Holyoake, através da Oakvest, Bilton, através da Sabina Estates, e a Portugália apresentaram uma proposta que foi selecionada pela entidade gestora do fundo, a Gesfimo, para votação pelos participantes do fundo imobiliário da Herdade da Comporta, o que levou Paula Amorim e Claude Berda a contestar essa escolha, assegurando que a sua oferta era melhor. O Novo Banco, enquanto participante do fundo, acabou por exigir que na assembleia de participantes da próxima sexta-feira fossem analisadas todas as ofertas e não apenas a selecionada pela Gesfimo.

Na carta agora enviada aos participantes do fundo da Comporta, a Oakvest, a Sabina e a Portugália consideram que após “perder no campo” o consórcio de Paula Amorim e Claude Berda pretende “ganhar na secretaria”.

O consórcio selecionado pela Gesfimo foi acusado por Paula Amorim e Claude Berda de ter sido escolhido sem ter uma proposta vinculativa, mas argumenta que a sua oferta “é uma proposta firme”, que está apenas sujeita ao “resultado satisfatório da due dilligence”. “Ambas as propostas têm exatamente a mesma natureza quanto à sua vinculatividade”, defende o consórcio da Oakvest, Sabina e Portugália.

Além disso, Paula Amorim e Berda também acusaram a Gesfimo de ter permitido ao consórcio concorrente rever a sua proposta em alta. Holyoake e a Portugália contestam. “Ambos os concorrentes sabiam que, até ao dia 11 de maio, seria tomada uma decisão e, portanto, que até essa data poderiam rever a sua proposta. Se o consórcio Amorim Luxury / PN não o fez foi exclusivamente porque não o quis, não podendo vir agora desculpar-se com outras justificações”, lê-se na carta da Oakvest, Sabina Estates e Portugália.

Este consórcio nota ainda que antes da sua última revisão em alta a contrapartida financeira oferecida, de 32,5 milhões de euros, já era mais alta que os 28 milhões propostos por Paula Amorim e Claude Berda.

Paula Amorim e Berda são ainda acusados de “falsidades” por terem declarado que a oferta de Holyoake e a Portugália seria pior por considerar a aquisição de créditos da empresa DCR&HDC. Holyoake e a Portugália asseguram que logo a 9 de abril o seu consórcio confirmou à Gesfimo que a sua oferta não incluía aqueles créditos. E nessa situação as duas propostas ficam empatadas no que respeita ao tratamento dos créditos da DCR&HDC, sendo que a contrapartida financeira da Oakvest e Portugália é mais alta que a oferecida por Amorim e Berda.

Paula Amorim e Claude Berda também são acusados de agir “de má fé” ao afirmarem que o consórcio selecionado pela Gesfimo não apresentou garantias financeiras sólidas. “Não deixa de ser paradoxal que quem, de má fé, acusa o consórcio selecionado de ter uma prova de fundos inválida não apresente quaisquer provas de fundos, refugiando-se em afirmações genéricas quanto à capacidade financeira dos seus membros”, lê-se na carta da Oakvest, Sabina Estates e Portugália.

  • A corrida pela Comporta

    A Herdade da Comporta, a histórica propriedade da família Espírito Santo, vai ser vendida. É disputada por milionários franceses, pela mulher mais rica do país, por um controverso empresário britânico e pela discreta família que controla os restaurantes Portugália. À venda está um território equivalente a quase um terço do município do Porto. Para lá se promete luxo. A decisão final será conhecida na próxima sexta-feira