Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

IAG, Ryanair, easyjet, Wizz Air avançam com queixa em Bruxelas contra controladores aéreos franceses

Quatro companhias aéreas apresentaram queixa à Comissão Europeia contra França, alegando que as greves dos controladores de tráfego aéreo restringem o “princípio da liberdade de circulação dentro da União Europeia”

O International Airlines Group (IAG), a Ryanair, a easyJet e a Wizz Air apresentaram queixa à Comissão Europeia contra França, alegando que as greves dos controladores de tráfego aéreo franceses restringem o “princípio da liberdade de circulação dentro da União Europeia”. França, sublinham, é responsável por 33% dos atrasos dos voos na Europa

A queixa da International Airlines Group (IAG), Ryanair, easyJet e Wizz Air são uma forma de encontrar uma solução para um problema que têm afectado companhias aéreas e passageiros na Europa nos últimos meses, com sucessivos atrasos e cancelamentos de voos. Várias companhias aéreas, entre elas a TAP, têm afirmado que há atrasos e cancelamentos de voos que têm sido provocados pelas numerosas greves de controladores aéreos que se têm verificado em França. Portugal é um dos países afetados por estas greves.

As quatro companhias aéreas, afirmam em comunicado, que “não pretendem questionar o direito de greve”, mas sublinham que “acreditam que França está a infringir as leis da União Europeia (UE) ao não permitir voos em todo o país durante as greves”, lê-se num comunicado enviado às redações. “Aos passageiros que se deparam com sobrevoos está a ser negada a liberdade fundamental de viajar entre os Estados Membros não afetados pela greve”, sublinham.

A Airlines Group (IAG), Ryanair, easyJet e Wizz Air frisam que as greves dos controladores de tráfego aéreo franceses aumentaram 300% em 2018 face a 2017. “No mês passado, o Senado francês confirmou que, isoladamente, França é responsável por 33% dos atrasos de voos na Europa. O Senado também declara que o direito de greve deve ser equilibrado com a obrigação de prestar serviço público”.

Segundo a Eurocontrol, dizem sublinham os queixosos “mais de 16.000 voos foram adiados até junho deste ano devido a greves do ATC (Controlo de Tráfego Aéreo), afetando mais de 2 milhões de passageiros”. E prosseguem: “No verão passado, a Comissão Europeia informou que, desde 2005, ocorreram cerca de 357 greves de ATC na Europa. Isso é o equivalente a um dia de greve mensal por cada ano, quando os céus da UE são interrompidos”.

As razões de queixa

Os presidentes executivos das quatro companhias queixosas apresentam as razões que os levaram a avançar com a queixa em Bruxelas e sublinham que a situação é insustentável e está a afetar a economia de alguns países.

“O direito à greve precisa ser equilibrado com a liberdade de movimento. Não são apenas os clientes que entram e saem de França que são afetados durante as greves dos controladores de tráfego aéreo franceses. Todos os passageiros em rotas que sobrevoam França, especialmente o grande espaço aéreo que cobre Marselha e o Mediterrâneo, também estão sujeitos a atrasos e grandes irregularidades. Isso afeta todas as companhias aéreas, mas tem um impacto significativamente negativo no turismo e na economia espanhola”, afirma Willie Walsh, presidente executivo do IAG.

Já Michael O'Leary, presidente da Ryanair, sublinha: “Os fornecedores de ATC da Europa estão a atingir um ponto de colapso com centenas de voos a serem cancelados e atrasados diariamente devido às greves dos controladores de tráfego aéreo ou porque o ATC da Europa não tem pessoal suficiente. Quando a Grécia e a Itália têm greves do ATC, os sobrevoos continuam normais. Porque razão não faz a França o mesmo? Os colaboradores de ATC (especialmente na Alemanha e no Reino Unido) andam a esconder-se atrás de condições climáticas adversas e eufemismos como ‘restrições de capacidade’ quando a verdade é que eles não estão a escalar um número suficiente de funcionários do ATC para responder ao número de voos programados. Essas irregularidades são inaceitáveis e pedimos aos governos da Europa e à Comissão da UE que tomem medidas urgentes e decisivas para garantir que os fornecedores de ATC tenham equipas completas e que os sobrevoos não sejam afetados quando ocorrerem greves nacionais, como acontece repetidamente em França.”

Johan Lundgren, presidente executivo da easyJet, garante respeitar totalmente o direito à greve, e diz que tem vindo a estabelecer “um diálogo construtivo” com a UE e o governo francês para abordar a questão das greves dos controladores aéreos.

“Infelizmente, os nossos passageiros têm sentido pouco progresso até ao momento, e é por isso que sentimos que é necessário dar o próximo passo, dado que as greves deste ano já totalizaram mais de 24 dias até hoje”.

József Váradi, presidente da Wizz Air, conclui: “O fracasso das autoridades francesas de controlo de tráfego aéreo em garantir um serviço contínuo e adequado causou grandes transtornos nos planos de viagem de milhares de passageiros em toda a Europa”, sendo a “responsabilidade de corrigir estes problemas às companhias aéreas”. E defende: “Abordar esta questão deve ser uma prioridade para as autoridades europeias”, por forma a “garantirem que os cidadãos e as empresas europeias não fiquem reféns de questões nacionais de relações laborais”.