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Ryanair anuncia quebra de 20% do lucro em semana de greve em Portugal, espanha e Bélgica

Artur Widak/Getty

O lucro da Ryanair caiu 20% para 319 milhões de euros no primeiro trimestre de 2018. Um anúncio feito na semana em que há três sindicatos em Portugal, Espanha e Bélgica a decretarem paralisações para quarta e quinta-feira que vão obrigar à suspensão de 600 voos

A companhia área de voos económicos Ryanair anunciou esta segunda-feira um lucro líquido de 319 milhões de euros no primeiro trimestre fiscal (de abril a 30 de junho), 20% menos do que em igual período do ano passado. A empresa explica a descida dos resultados com a baixa do preço da tarifa média, em 4% (para os 38,68 euros), o aumento dos combustíveis e dos custos com os trabalhadores.

A Ryanair refere também que uma parte das férias da Páscoa “ficaram fora do primeiro trimestre” e que as greves dos controladores aéreos e a falta de pessoal em vários países europeus provocaram o cancelamento de 2.500 voos entre os meses de abril e junho.

Ainda assim, refere a companhia aérea, verificou-se um aumento de 7% no tráfego de passageiros e de 9% as vendas, correspondendo a um valor de 2.079 milhões de euros.

O presidente do conselho de administração Ryanair, Michael O’Leary, destacou que apesar dos cancelamentos, o “fator de carga” – que regista a percentagem de lugares ocupados em cada avião – situou-se nos 96%, uma “cifra líder” no setor. As vendas auxiliares, que incluem as vendas a bordo, pagamentos adicionais por bagagem ou tarifas de embarque com prioridade, aumentaram 25%.

O’Leary indicou que os custos com trabalhadores aumentaram 34% depois de um “aumento de 20% dos salários dos pilotos e de 3% nos restantes funcionários”. O tempo de horas de voo aumentou 9%, no mesmo período, acrescentou.

A companhia aérea assinala que foram firmados “acordos laborais com sindicatos de pilotos e de tripulações de cabine” depois de ter reconhecido no passado mês de dezembro - pela primeira vez - os sindicatos independentes.

Mas não houve consenso. Nesse âmbito, houve uma centena de pilotos na Irlanda – 25% do total no país – a convocarem três greves em julho. E os sindicatos em Portugal, Espanha e Bélgica decretaram paralisações nos próximos dias 25 e 26, o que vai obrigar à suspensão de 600 voos da Ryanair durante esses dois dias.

“Minimizamos o impacto destas greves junto dos nossos clientes suspendendo uma pequena parte do programa de voos com bastante tempo de antecipação em relação aos dias em causa para permitir aos passageiros que mudem de ligação ou recebam a devolução do valor que tinham despendido”, disse em comunicado a companhia aérea.

Greves podem pôr em causa modelo de tarifas baixas

A Ryanair assegura que vai continuar a negociar “ativamente” com os sindicatos “em toda a Europa” e que “apesar de prever mais movimentações durante o verão” a companhia refere que não está disposta a ceder a “tantas exigências pouco razoáveis” que “podem pôr em causa o modelo altamente eficaz de tarifas baixas”.

Para a companhia o impacto dos protestos pode provocar o aumento do preço médio do bilhete.