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Velozes na criação de emprego

Em três anos, as empresas de crescimento elevado criaram mais de 90 mil empregos em Portugal

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Entre 2013 e 2016, as chamadas empresas de crescimento elevado (ECE) criaram em Portugal mais de 90 mil novos postos de trabalho, 41,6% dos quais no sector dos serviços. Os dados do último estudo “As empresas mais velozes (2013-2016)”, agora divulgado pela Informa D&B, apontam para um crescimento de 136% no número de trabalhadores ao serviço destas empresas, no período considerado. Mas a dinâmica na criação de emprego não foi uniforme ao longo destes anos.

As empresas de elevado crescimento — organizações com mais de dez funcionários que se caracterizam por um crescimento orgânico médio anual de empregados superior a 20%, durante três anos consecutivos — são uma minoria (0,5%) num tecido empresarial nacional dominado por micro, pequenas e médias empresas (99,9%). Mas, nestes quatro anos, responderam por 11,4% do total de novos empregos criados pelas empresas em Portugal. As ECE estão em todos os sectores de atividade, mas é nas indústrias transformadoras (25,5%) e nos serviços (19,5%) que atingem maior expressão.

A análise agregada da evolução destas empresas entre 2013 e 2016 mostra que, com os 90.043 novos postos de trabalho criados, as ECE atingiram em 2016 o seu melhor ano desde 2009, altura em que o acumulado dos novos empregos gerados pelas empresas mais velozes do mercado, nos três anos anteriores, totalizava 82.647. Contudo, os dados desagregados relativos à criação de emprego por sector de atividade, cedidos pela Informa D&B a pedido do Expresso, revelam que a evolução da criação de emprego não foi uniforme, entre 2013 e 2016, com quebras registadas sobretudo no último ano. Em 2016, o último ano analisado pelo estudo, as empresas mais velozes do mercado nacional abrandaram o ritmo de contratação e criaram menos 666 empregos do que no ano anterior. Construção e serviços foram os sectores onde as contratações mais abrandaram. Mas vamos aos números.

Criação de emprego abranda em sector-chave

Há 1575 empresas de elevado crescimento em Portugal. O sector das indústrias transformadoras é o que absorve a maior parte destas empresas (402) e o segundo maior criador de emprego com 16.703 novos postos de trabalho criados entre 2013 e 2016. A análise anual isolada do desempenho destas empresas demonstra que as ECE a operar neste sector criaram menos 236 empregos em 2016 do que em 2015. O comportamento é semelhante nos sectores da construção e serviços que lideram o ranking dos que mais abrandaram na criação de postos de trabalho nos dois anos, com menos 1229 e 812 empregos criados, respetivamente. A análise da totalidade dos sectores aponta para uma redução de 666 novos postos de trabalho no total dos novos empregos criados em 2016, face a 2015.

Apesar deste revés, os indicadores das ECE mostram que nos três anos analisados aumentaram as empresas mais maduras (com mais de 20 anos de mercado) e o perfil exportador das organizações nacionais foi reforçado. Segundo o relatório, 53% das empresas nacionais de crescimento acelerado são exportadoras. Entre elas está a Science4you, liderada por Miguel Pina Martins. A empresa que soma dez anos, internacionalizou-se logo ao segundo ano de atividade. Um passo que, para Miguel Pina Martins, “foi fundamental” já que os negócios no exterior garantem mais de 70% da faturação anual da empresa. “Em 2017 faturámos 27 milhões de euros em vendas totais nos mais de 40 países onde a marca está presente”, explica acrescentando que o valor representa um crescimento de 66% face a 2016.

A Science4you soma 400 profissionais e contratou, entre 2013 e 2016, 190 pessoas. Depois disso, Miguel Pina Martins juntou à equipa perto de 200 novos elementos. À semelhança de muitas empresas de elevado crescimento, além das contratações permanentes a empresa recruta também em regime temporário, para fazer face aos picos de sazonalidade na altura do Natal. Em 2018, o crescimento da empresa não deverá ser tão acelerado, reconhece o gestor que se diz focado em estabilizar as vendas nos principais mercados onde a empresa atua.

A Meigal é outra das ECE nacionais e enquadra o grupo das mais maduras. Tem mais de 20 anos de presença no mercado da distribuição de produtos alimentares frescos e congelados e uma presença internacional, em países como França e Espanha. A faturação da empresa cresce anualmente a dois dígitos e “integra uma equipa de 369 profissionais”, explica Marco Pinheiro, responsável de marketing da empresa. No período considerado pelo estudo da Informa D&B, a Meigal integrou 269 profissionais para as mais diversas áreas operacionais da empresa, mas também quadros superiores. “Mais do que contratar novos elementos, a Meigal procura potenciar cada vez mais os seus recursos humanos através da formação ou de oportunidades de crescimento interno”, explica Marco Pinheiro. Afinal, é com competências e qualificação que se acelera o crescimento das empresas.