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Paula Amorim diz ter proposta para a Comporta “totalmente independente” dos interesses do GES

A Comporta é uma das áreas com maior potencial turístico a sul de Lisboa

Joaquim Norte Sousa / Visão

A empresária enviou aos participantes do fundo imobiliário Herdade da Comporta, que se reunirão na próxima sexta-feira, uma carta apelando à rejeição da oferta liderada pelo britânico Mark Holyoake e pelos donos dos restaurantes Portugália

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A empresária portuguesa Paula Amorim e o francês Claude Berda têm cada vez menos tempo para convencer os participantes do fundo imobiliário Herdade da Comporta de que a sua oferta é a que melhor servirá os seus interesses. E uma das mais recentes diligências de Paula Amorim foi enviar aos participantes do fundo uma carta apelando à rejeição da proposta que a entidade gestora do fundo, a Gesfimo, considerou até agora ser mais vantajosa.

“A proposta do consórcio, totalmente independente dos interesses da Gesfimo e do anterior Grupo Espírito Santo, visou, e visa ainda, o desenvolvimento dos ativos do fundo de uma forma sustentada e não especulativa”, refere a carta de Paula Amorim e Claude Berda, a que o Expresso teve acesso.

Para 27 de julho está marcada uma assembleia de participantes do fundo da Herdade da Comporta, que poderá ser decisiva para o futuro daquela propriedade histórica do Grupo Espírito Santo (GES). Os participantes do fundo serão chamados a votar a oferta selecionada pela Gesfimo, e que foi apresentada por um consórcio que junta o britânico Mark Holyoake, a Portugália e a empresa Sabina Estates. Na assembleia também serão analisadas as propostas concorrentes, nomeadamente a de Paula Amorim e Claude Berda e ainda a do francês Louis-Albert de Broglie.

Ao longo das últimas semanas Paula Amorim sublinhou o carácter vinculativo da sua oferta, em contraste com a proposta não vinculativa do consórcio de Holyoake e da Portugália. “Queremos crer que os senhores participantes não deixarão de rejeitar a proposta da Gesfimo, aceitando antes a única proposta vinculativa”, lê-se na carta que foi enviada aos participantes do fundo no dia 18 de julho.

A proposta que a Gesfimo, enquanto entidade gestora do fundo, propõe que seja aprovada pelos participantes é a de Holyoake e da Portugália, que, além de assumir a dívida à Caixa Geral de Depósitos, oferece uma contrapartida financeira de 36,5 milhões de euros.

A oferta de Paula Amorim e Claude Berda assume igualmente a dívida à Caixa, mas com uma contrapartida de 28 milhões de euros. Amorim considera que a sua oferta, contudo, terá um valor económico superior, uma vez que exclui os créditos de uma das empresas da Herdade da Comporta, ao contrário do que alegadamente previa a oferta concorrente de Holyoake.

Mas na semana passada a Gesfimo emitiu um esclarecimento segundo o qual a proposta de Holyoake e da Portugália também não incluirá aqueles créditos, o que a deixaria com uma vantagem efetiva de mais de 8 milhões de euros relativamente à proposta de Paula Amorim e Claude Berda.

Paula Amorim considera que o esclarecimento da Gesfimo tem “informação errónea”, pois contempla “uma nova proposta da Gesfimo visando mais uma vez beneficiar a proposta Holyoake”.

A empresária portuguesa prometem agora que “tomarão todas as medidas necessárias e suficientes não só à reposição da confiança no mercado de gestão de ativos de terceiros, que consideram colocada em crise pelas atuações descritas, como à reparação pelos responsáveis por tais atos de todos os danos causados”.